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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Ligação Graciosa-Lisboa em 60 horas

Após ver este vídeo fiquei deveras confuso, pois na última escala efectuada no domingo,   o navio largou do porto da Graciosa directamente para o porto de Lisboa, o que origina uma viagem mais curta. Se existem produtos com destino a Lisboa esta era uma viagem perfeita. O navio largou do porto da Graciosa ás 14:00 do dia 27 Domingo e chegou ao porto de Lisboa ás 02:27 de quarta-feira dia 30, ou seja contabilizou 60 horas e 27 minutos.   Normalmente a escala é efectuada à  quarta-feira e o navio chega a Lisboa na segunda-feira. 
Como todos sabem, a frequência do porta-contentores é quinzenal, tendo a viagem do navio que serve a Graciosa sempre inicio e fim em Lisboa, pode até haver alteração de rotação, mas nunca será o porto de Lisboa, a ficar de fora da rotação.
Lembro mesmo que durante os períodos das greves-portuárias, o navio ficou fundeado na Folga esperando oportunidade para operar no porto da Graciosa, nesse dia também alterou a rotação programada para outros portos para operar na Graciosa.
Preocupa-me que falando de transportes não se olhe e fale numa  obra que pode e deve ser parte da solução dos problemas dos transportes marítimos inter-ilhas, estou obviamente a falar da rampa ro-ro. Mais me vai na alma, mas mais não digo...
(©) Copyright fotos: MM Bettencourt, Graciosa.
Captura: Site do Porto de Lisboa.
Vídeo: Graciosa-Online.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Qual o método mais simples?

(©) Copyright: Foto retirada da pagina do facebook Marine Inside
Para descarregar estes contentores da primeira foto, será necessário recorrer a uma operação "lo-lo", exigindo equipamento de elevação vertical  adequado, entre outras questões, para as quais estou-me "lixando", pois imagino que a foto seja uma brincadeira! O segundo método ro-ro, não exige equipamento de elevação vertical, e  a descarga faz-se de forma simples! Um sistema ferry anual nos açores poderá ser uma ferramenta de extraordinária importância para a economia das ilhas (as 9 claro). Espero que ninguém leve a sério a primeira foto!
(©) Copyright foto: Cmdt Stefanos Papadopoulos, Velas.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Antigo plano de aumento e melhoria das instalações portuárias dos Açores

Um interessante recorte de um jornal (desconhecido), oferecido pelo amigo Valquírio Louro, um apaixonado pelo shipping, tendo exercido durante anos a actividade de Agente de Navegação nesta ilha, não pelo dinheiro, mas principalmente pelo gosto que desde sempre teve por esta actividade.
Convido os estimados visitante a lerem o referido artigo.Interessante constatar que já se previa um ferry-boat, entre Faial e Pico, e obviamente um terminal  de passageiros em cada ilha. Assume-se que a Praia da Vitória passaria a ser o principal porto da ilha Terceira, entre outras questões. Este artigo será do ano 69 ou 70 (dedução  minha), e como já fala em ferrys, faço uma pergunta, passados estes anos todos quando é que assumimos, que esse sistema operacional durante todo o ano daria um forte impulso ao desenvolvimento dos Açores como um todo, ou preferem o desenvolvimento de alguns! Autor e jornal desconhecido.

domingo, 26 de agosto de 2012

Gruas da Eurotagar, no parque eólico do Faial




 Em novembro de 2011, o Amigo José Lopes, oferecia-nos belas imagens obtidas no porto da Horta aquando da escala do navio heavy lift "Wiebke" (Ver aqui)
que efectuou o transporte do material para o parque eólico da ilha do Faial.
 Desta a vez este post  não apresenta  nenhum espectacular navio heavy lift, mas sim o inicio dos trabalhos de montagem das torres eólicas. O serviço de montagem, nomeadamente o equipamento de elevação vertical, está a ser efectuado pela empresa Eurotagar, pertencente ao Grupotagar.  A Eurotagar, surgiu no mercado de aluguer de auto-gruas em Portugal no ano de 2000, nascendo assim a primeira empresa do grupo.
Nas fotos apreciamos duas gruas da frota da Eurotagar, da marca Liebherr, sendo que a LTM 1400 tem uma capacidade de elevação de 400 tons.
Fontes: Grupotagar
(©) Copyright fotos: José Manuel Lopes, Faial.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Transportes Marítimos

A razão principal da insularidade dos Açores é a descontinuidade territorial com a plataforma continental europeia.
Os efeitos de tal situação refletem-se nos custos associados ao transporte de mercadorias e passageiros; no preço final de produtos e serviços ao consumidor; nas distorções da concorrência bem como na diminuição da competitividade em geral das empresas dos Açores (ou até mesmo da própria região em si, como um todo).
Esta situação poderia em parte ser ultrapassada com a existência de um serviço de ferry boat que utilizasse a “auto-estrada” marítima que nos liga ao continente, diminuindo assim os efeitos da descontinuidade territorial. No entanto, incompreensivelmente, os Açores são as únicas ilhas europeias sem beneficiar de um serviço de ferry boat.
Esta situação é inaceitável para os Açores.
Está-se a abdicar de uma alternativa de transporte de mercadorias e passageiros, fulcral para o desenvolvimento económico insular de outros arquipélagos como a Madeira e as Canárias.
Na realidade os ferrys têm custos de combustível semelhantes aos porta-contentores, mas com muito menos custo na carga e descarga; menor exigência ao nível das estruturas portuárias e uma maior rapidez nas operações de carga e descarga em virtude da facilidade e versatilidade da utilização de camiões TIR no manuseamento de contentores em trailers nas rampas RO-RO, sem necessidade de burocracia (o ferry chega, o passageiro pega no seu veículo e vai para o seu destino...).
Falta ainda referir que este tipo de transporte poderá ser uma alternativa ao transporte aéreo de passageiros (introduzindo-se assim alguma saudável concorrência) tornando-se numa alternativa para as deslocações dos residentes e abrindo-se novos mercados ao nível do turismo não convencional (sem intervenção de agências de viagens, com viatura própria ou até auto-caravanas), logo uma mais valia para a economia da região dos Açores.
Concluindo: torna-se necessário pensar em alternativas ao transporte marítimo por forma a deixar de fazer parte do problema tornando-se uma parte da solução no que concerne ao desenvolvimento do nosso arquipélago.
Seria desejável que neste ano de eleições regionais, os vários candidatos ao Governo Regional dos Açores se prenunciassem sobre este tema... aguardemos.
PS: Caso queira saber mais, sobre este e outros temas da Cidade de Ponta Delgada e Ilha de São Miguel, consulte a página de Facebook “PDL Ponta Delgada“.
(©) Copyright texto: Gonçalo Almiro Matos Costa, Ponta Delgada.

(©) Copyright fotos: António Sáez, Tenerife

sábado, 31 de março de 2012

Cimpor inaugura o N/M "Temara", com tripulação estrangeira

Esta imagem, como se pode constatar, é  de uma página da "Revista de Marinha", onde consta um interessante artigo sobre a inauguração pela Cimpor do navio "Temara". Aconselho a leitura do referido artigo, até porque na ordem do dia está a OPA sobre a Cimpor, mas o que me deixou um pouco surpreso (não devia), é o facto de este navio ter tripulação estranjeira, que diabo se passa? Não tenho nada contra tripulações estrangeiras, mas se juntarmos a isto a resposta de algumas empresas do sector a jovens portugueses, então isto merece uma grande reflexão.
Uma Gentil Colaboração de, António Oliveira Gonçalves, ilha Terceira.

terça-feira, 13 de março de 2012

O Amigo Francisco e a aventura "Montesperanza", Parte II

Perante a admiração e o interesse dos dias e a exaustão do trabalho árduo, continuamente interminável e infindável, vem ao final do dia o pôr-do-sol, belo e magnifico, as cores são tão raras belas e tantas que não sei descrevê-las, normalmente vem acompanhadas com uma brisa fresquinha, que ao final do dia sabe sempre bem, São momentos únicos que nos fazem sair por momentos….são momentos que só os tem, quem os procuram, e aqui nesta caixa de aço flutuante, sentimo-nos livres, de ideias e vontades, talvez como uma ave migratória que só e apenas esta “presa” no mundo, livre de pensamentos e de ideias, viaja o mundo atraz do próximo destino, do próximo pôr do sol, e ai…..Cai a noite, normalmente nesta zona é um pouco seca devido há proximidade de desertos quentes e países ricos em petróleo, que é a única coisa que têm….Esta Dama, de vestido negro e encarnado, vai de proa feita para os lados de Arábia Saudita, um pais com umas leis estranhas e liberdades condicionadas, e de lá, esta dona sairá carregada de ouro negro para entregar a le Havre, em França.
A vida numa donzela destas é longa e dura, mas os dias passam muitíssimo rápidos e eu amo aquilo que faço, adoro aprender  aqui, sem duvida que é o melhor lugar para eu estar, para não falar da minha pancada por navios tanque.
A noite quando cai, normalmente a escuridão faz encher a abóbada celeste de pequenos pontitos luminosos, são estrelas, pequenos grandes “sois” que igualmente bolas de fogo, ardem a milhões de quilómetros daqui, que ao brilharem, fazem as maravilhas de um dia cansativo de 16 horas de trabalho e ainda vem o “quarto” da noite, das 2000 as 0000 h, mas normalmente é calmo, tento fazer alguma astronomia entre tirar erros há giro. Existem dias como hoje, que nada se passa, nem a silhueta de um naviosito se vê ao cruzar o horizonte, é para compensar aqueles dias em que não dá para tirar os olhos do horizonte de tão intenso tráfego. Chama-se singradura, ao caminho percorrido por um navio durante um dia, durante 24 horas, por vezes o meu dia é uma autentica singradura, mas o resultado final é gratificante, saber que estou aprendendo e fazendo aquilo que gosto, por enquanto não há dinheiro que o pague, apenas um sorriso quando me deito na cama, mostro feito louco, sorrindo e com cara de parvo olhando o tecto do quarto enquanto o sono não é suficientemente grande para dormir . Um navio novo é como uma namorada nova, dá 1 000 000 Vezes mais trabalho do que uma namorada antiga, a tripulação em regra geral é 5 estrelas comigo, chamam-me de Francisquinho, ou por vezes de motivação, mas em regra geral, de Francisquinho. Mas compensa o trabalho árduo levado a cabo pelos marinheiros o dia todo no convés, dá sempre para provar aquilo que valho, e até agora tenho me dado bem (Adoro Isto).
São noites assim que da vontade de escrever, mas por vezes o cansaço é tanto e acumulado ao restante trabalho que ainda é longo, que caneta e lápis so para fazer contas_:p por vezes de sumir ihih:P
O vento normalmente durante a noite, é quente e pesado, mas á medida que vamos aumentando de latitude, vai se sentindo mais fresquinho. Estes tempos assim, fazem-nos pensar na vida e em tudo o que temos, faz nos sentir falta de todas aquelas pessoas que amamos, amigos e até nos inimigos, pensamos no mundo e vemos as coisas, os problemas normais de outra forma, não são problemas, somos práticos e em regra geral calmamente ponderados, afinal, temos tempo para pensar, até tempo para pensar em pessoas que por algum motivo já não fazem parte das nossas vidas, e por alguma razão continuam no nosso coração deixando um restinho de saudade.
É bom sentir que fazemos aquilo que amamos fazer da vida.  Os dias duros e alguns dias parecem não ter fim… mas tudo vale a pena, e eu gosto de aqui estar, o navio é perfeitamente lindo e tem tecnologias novas, como as “drop lines” que é um sistema inovador, por causa da retenção de gases.
Amanha, chegamos a Muscat, vamos desembarcar os “rambitos” um grupo de 3 homens armados, provenientes da empresa “MAST” que sobem abordo por questões de protecção anti-pirataria, aprendi muito com eles e ate posso dizer que fiz amigos, um deles vai casar em Agosto, e esta todo inclinado em ir para a Madeira passar a lua de mel, ihihi:P,…Aqui não consigo estar triste, e os dias aqui passam a correr, este tipo de navios são bons para fazer embarques longos, o tempo aqui não se conta:P
Em suma, era mesmo uma experiência deste tipo que eu procurava, dá para aprender e muito, e com os erros dos outros também dá para tirarmos as nossas próprias conclusões, e que apesar de tudo, um navio, é sempre uma bela dona. É engraçado estar aqui com pessoas de diversas partes do mundo, que fazem contratos de 6 meses, e estam de ferias 2 semanas por ano, noto que é duro eles estarem longe das famílias, e ao que parece, firmam um contrato muito superior ao que realmente recebem…… é a realidade do Shipping mundial, tripulação baratas e que fazem muito tempo de embarque, as empresas não se preocupam com famílias ou vidas pessoais, e aqui é igualíssimo, apesar de uma ou outra aparência..
Um navio como este, e apesar das suas dimensões, faz-se pequeno,  todos, se esforçam tanto  tentado tudo, e a todo o custo para fazer com que as coisas resultem, e que mesmo com poucas mãos e apesar das suas limitações, o navio chegará a porto prontíssimo para carregar .
Estou a adorar esta experiência:P sem duvida é mais uma das melhores que tive/alguma vez terei, decerto a minha primeira grande experiência nas lides marítimas, apesar de ter tido o privilégio de crescer no meio, aqui sinto que, não sei, é diferente, é tudo diferentemente brilhante.
(©) Copyright texto e fotos: Francisco Nunes,  N/T "Montesperanza", 22 de fevereiro de 2012.

segunda-feira, 12 de março de 2012

300 000 Visitas, Obrigado!

O Blog “O Porta da Graciosa” atingiu as 300 000 visitas, é um numero que nos dá Grande Prazer registar , sendo que durante este tempo a maior conquista do blog foi a AMIZADE. Gostávamos de Agradecer a Todos os Visitantes, Seguidores, Comentadores e a  Todos os que de uma forma ou de outra Colaboram, este blog também é vosso.
OBRIGADO A TODOS !

sábado, 10 de março de 2012

O Amigo, Francisco e a aventura "Montesperanza"


Por vezes desperto pela madrugada com uns violentos solavancos, é o mar que lá fora faz das suas graças, um pouco de vento e está tudo virado ao contrário, é uma bailarina esta dama de vestido negro, que com sua proa navega por estes mares pirateados, com piratas dos tempos modernos.

É uma nau que a todo o pano rasga as ondas que quebram violentamente na sua proa, um sorriso no rosto me despertou, durante a noite enquanto estava a descansar, das 4 ás 8 da manhã, entraram no meu quarto, e pimba, o resultado é o que está numa das fotos, puseram-me aquilo na porta, hahaaah, entre muitas outras partidas, afinal sou praticante de piloto, e isto faz parte!

 (©) Copyright texto e fotos: Francisco Nunes, Madeira.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Ro-ro "Agean Pearl", em Ponta Delgada com a logística do Sata Rallie 2012

Hoje tem inicio o Sata Rallye Açores 2012, prova do IRC, que irá animar as estradas da bonita ilha de S. Miguel. Mas para realização deste evento, foi preciso uma "estrada" para fazer chegar a Ponta Delgada as viaturas e restante logística da prova, essa "estrada" este ano foi assegurada pelo ro-ro de bandeira grega, "Agean Pearl".
Interessante registar que o sistema ro-ro, está associado à realização desta prova e de outras do mesmo tipo que se realizam pelo arquipélago. 
(©) Copyrights fotos: António M. Dias de Simas, Ponta Delgada.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Participação açoriana no Projeto COSTA ajuda Portugal a afirmar-se na Europa

A participação dos Açores num projeto de criação de uma rede europeia de abastecimento de navios com gás natural liquefeito (LNG) – projeto COSTA – “ não se relaciona apenas com o acesso ao conhecimento que resultará deste trabalho. Há nesta área um potencial de atividade económica que deve ser acompanhado logo desde fase inicial”, defendeu, esta sexta-feira, em Ponta Delgada, o Secretário Regional da Economia, Vasco Cordeiro.
O governante, que falava na apresentação pública nacional deste projeto, envolvendo autoridades portuárias de Portugal, Itália, Espanha, Reino Unido, Alemanha e Grécia, salientou o trabalho de parceria desenvolvido entre a empresa Portos dos Açores e o Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos (IPTM), considerou esta iniciativa de grande importância na estratégia da Região para o Mar, motivo pelo qual levou a que “fosse acompanhada desde o início”. “Quer pela sua importância para nós enquanto região arquipelágica, mas também porque nos permite, desde fase inicial, acompanhar as questões e as tendências que a nível europeu se vão desenhando” no desenvolvimento desta rede de abastecimento de navios por LNG, referiu.
Além disso, acrescentou o governante, “esta participação permite que os Açores continuem a afirmar-se como um parceiro privilegiado ao nível europeu nas matérias relacionadas como Mar”. “Participámos desde a fase inicial nos debates da Política Marítima Europeia e neste projeto, como noutros, também queremos participar desde a sua fase inicial”, acrescentou o Secretário Regional da Economia,
Assim, reforçou, “este projeto vem também demonstrar que quando falamos da importância do Mar dos Açores para o país e para a sua projeção internacional não nos estamos a referir a algo de etéreo. É algo que pode ter uma concretização muito prática, muito concreta”. “Se é certo que o facto dos portos dos Açores não estarem presentes neste projeto poderia não o invalidar também não é menos verdade que o facto de estarem presentes vem trazer um valor acrescido à presença e ao interesse de Portugal neste processo”, disse.
De facto, acrescentou Vasco Cordeiro, “os Açores são, sob a esmagadora maioria dos critérios, uma pequeníssima região da Europa, mas há um critério no qual se afirmam como uma autêntica potência europeia: o Mar e o seu potencial para toda a União Europeia”.
“Estratégias concretizadas desta forma, com uma postura pró-ativa, presente, interveniente e em parceria com as respetivas entidades nacionais constituem o caminho para o aproveitamento deste potencial pelos Açores” defendeu Vasco Cordeiro salientando, no entanto, que “se esse potencial traz projeção e esta afirmação ao país deve a própria Região colher também os benefícios ou parte dos benefícios do trabalho que resulte desta afirmação e desta projeção”.
“Este é um ponto de partida e agora depende da capacidade das entidades para afirmar a importância do país nesta temática que se ajuizará do sucesso desta presença e deste esforço”, concluiu.
Texto e foto: Gacs

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Os ferrys são peça fundamental para a criação de um mercado interno

Por estes dias, ouvimos cada vez mais expressa a vontade de criar um mercado interno nos Açores. Se o facto de aparentemente haver alguma convergência de opiniões nesse sentido deixa-me amimado, por outro, a não revelação da forma de implementar esse desejado mercado interno, deixa-me como cidadão muito preocupado.
Na minha humilde opinião para a criação desse mercado interno, seria preciso criar condições para que as trocas comerciais se façam de forma rápida e competitiva, essas condições terão forçosamente que passar pelos transportes marítimos, ou não estivéssemos a falar de nove ilhas dispersas. A ideia utópica seria construir uma ponte entre todas as ilhas, mas isso como sabemos seria impossível, mas a verdade é que facilmente podemos construir uma “ponte móvel”, ou seja um ferry, que assegure uma ligação regular e permita que o tal mercado interno surja naturalmente. Isto como já várias vezes aqui escrevi, não se trata de nenhuma inovação, é sim um mero “copy paste”, não do que está a acontecer noutros arquipélagos, mas sim e infelizmente, do que já aconteceu à anos atrás e que nós (nem todos) continuamos a ignorar.
A criação deste mercado interno, tem vários pontos positivos, disso ninguém tem dúvidas, mas certamente e apesar disso haverá certos sectores que não o verão com bons olhos, aqui reside o problema maior a resolver.
A construção das rampas ro-ro, poderão significar a construção dos pilares dessa “ponte” necessária ao mercado interno, mas depois de construída quero ver quem vai defender a sua utilização nos moldes que se pratica por exemplo na Madeira. Para a sua utilização necessitamos de um serviço ferry adequado ás necessidades, e preparado para transportar carga rodada, por forma a colocar esta nas outras ilhas de forma rápida e acessível.
Não seria uma mais valia colocar rápida e facilmente a meloa da Graciosa ou de Santa Maria, em outras ilhas de forma rápida, acessível, e sem perda de qualidade? Eu acho que sim, e como estes exemplos teremos certamente muitos mais.
Gostava que as forças politicas, para além de falarem do mercado interno, exemplificassem, qual o modelo que querem implementar, esse sim é que deveria ser discutido em primeiro lugar, ou não seria lógico em primeiro lugar construir as estradas de um país e depois falar de mercado, ou será que vamos transportar a carga em velhos “burros” pelos atalhos?
Espero que os nossos políticos nos levem no caminho do desenvolvimento e do futuro, e não sigam por caminhos ou atalhos dos amigos e compadres, tenham coragem de assumir o Povo dos Açores como sua primeira prioridade!
(©) Copyrights fotos: MM Bettencourt, Graciosa; Sergio Ferreira, Madeira.
Ferry "Lobo Marinho", da Porto Santo Line, Madeira.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Horários da Atlânticoline operação 2012

Depois de a Atlânticoline, ter realizado anteriormente uma apresentação  geral da operação ferry 2012, publicou agora no seu site os itinerários/horários da operação ferry de 2012. Ver Aqui

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sugestão - Cruzeiros Temáticos nos Açores

Em seguimento do post sobre o Cais de Cruzeiros de Angra,  e de alguns artigos como o da RTPAçores, em que alerta para o facto dos cruzeiristas não gastarem dinheiro em terra, surgiu uma ideia que gostava de partilhar com os Visitantes deste blog, e que não deixa de fazer algum sentido na medida em que o Turismo de Cruzeiros que realmente interessa para os Açores, é um turismo numa vertente Ecológica, Paisagística, Cultural, Gastronómica, Rural e Certificado na vertente de sustentabilidade e impacto ambiental. Pois os Turistas que nos visitam na maior parte são do Norte da Europa com uma filosofia Ecológica e com dinheiro para gastar nos nossos produtos e serviços.
Partindo de Santa Maria até ao Corvo um grupo de +/- 100 Pessoas, com um Roteiro Temático para cada Ilha, num Veleiro Cruzeiro com por exemplo este navio em  anexo, seria uma mais valia para a nossa economia.
- Em Santa Maria podia-se fazer a Rota dos Fosseis, Baia de São Lourenço, Praia Formosa entre outros aspectos que se poderá dar a conhecer a gastronomia local levando os turistas aos restaurantes típicos onde os produtos servidos deverão ser todos de origem local e biológica.
- Em São Miguel temos a Rota do Chá, do Ananás passando pelas Lagoas das Sete Cidades, do Fogo e Furnas, e a Gastronomia Típica.
- Na Terceira temos a Rota da Cidade Património Mundial,  Angra do Heroísmo, pela sua arquitectura, história e importância na época dos descobrimentos e conquistas, passando pelo Algar do Carvão, Gruta do Natal, assistir se for possível à actuação de um grupo de Folclore, a Gastronomia Típica.
- Na Graciosa temos a Rota das Termas do Carapacho, a Caldeira visitando a gruta e depois passeio pedestre em volta da cratera, o Ilhéu da Barca e como sempre a Gastronomia Típica.
- Em São Jorge temos a Rota dos Queijos, as Fajãs onde se pode também promover o um passeio pedestre num dos Trilhos e sempre a Gastronomia Típica.
- No Pico temos a Rota dos Vinhos na Zona Patrimonio do Lajido e Cural Atlantis onde se encontra um dos 8 melhores Trilhos do Mundo, os Museus do Vinho e dos Baleiros, Gruta das Tores e a excelente Gastronomia Típica.
- No Faial temos a Rota dos Vulcões onde se pode visitar o Vulcão dos Capelinhos e seu Centro Interpretativo, a Caldeira, a Marina, o Monte da Guia e sempre bem servidos com Gastronomia Típica.
- Nas Flores temos a Rota das Lagoas onde também se deverá passar pela Rocha dos Bordões e Fajã Grande e finalizar com a Gastronomia Típica.
- No Corvo temos a Rota da Caldeira onde se pode implementar a observação de pássaros contemplando os visitantes com a Gastronomia Típica.
É isso que quem nos visita procura, a nossa Ruralidade, Cultura, História, Gastronomia etc.
Temos tudo para sermos autónomos a nível económico e energético, para isso precisamos que as Bases sejam feitas. Temos a nossa Transportadora Aérea, falta-nos um bom Serviço Ferry Anual onde se poderá aumentar o mercado dos nossos produtos e serviços de Local ( Ilha ) para regional ( 9 Ilhas ) e porque não fazer de uma forma mais económica estes Roteiros utilizando os Ferrys.
(©) Copyrights texto: José Gabriel Azevedo, Terceira.
(©) Copyrights fotos: António Simas; Miguel Nóia; Carlos Medeiros; MM Bettencourt.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

O desmantelamento do "Panagia Soumela" ( ex Lady of Mann)

"Panagia Soumela", Aliaga Turquia ( autor desconhecido).
A primeira foto, foi enviada pelo amigo e colaborador Paulo Peixoto,  embora não sabendo o nome do seu autor, não resisti em pública-la. Esta foto assinala o fim da vida do ferry "Panagia Soumela", que para mim será sempre  o "Lady of Mann", navio que deixou saudades,  em Inglaterra, Madeira,  Açores e provavelmente na Grécia, o navio tem como data da desmantelamento, dia 8 de Agosto de 2011, em Aliaga Turquia.
O "Lady of Mann", foi construído nos Estaleiros Ailsa Shipbuilding Co. Ltd, com o casco nº 547, tendo sido lançado à água a 4 de Dezembro de 1975. Nos Açores e nomeadamente no "meu" porto sempre se destacou pela manobrabiliade, e pontualidade, fruto da sua boa velocidade, nos registos consultados, estes apontam para uma velocidade máxima de 21 nós, fornecida por um motor da marca Primier Engines Ltd, com uma potência de 11 002 hp. Adeus Lady!
 "Lady of Mann", no porto da Graciosa.
(©) Copyright fotos: António Deodato e Anabela Bettencourt, Graciosa; Panagiotis Kyriadis, Grécia; Autor desconhecido, Turquia.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

PORTO DE CRUZEIROS DE ANGRA DO HEROÍSMO - Reflexões.

Desenho retirado do blog: Azores Cruise Club.
Enquanto escrevemos estas linhas o principal jornal diário económico alemão, o Handelblatt, arrasa com a situação económica portuguesa na sua manchete, dando como certo que os investidores e os mercados dão Portugal como perdido,  análise assente numa certeza de 80% de probabilidade de incumprimento. É o que de nós se diz por esse mundo fora, é um facto e o Handelblatt não é excepção. Realça ainda este importante jornal que com o desemprego a disparar em flecha e com uma das mais altas dívidas públicas e privadas da Europa, Portugal terá apenas duas hipóteses que serão um segundo pacote de ajuda ou a reconversão da dívida à imagem do que está a acontecer na Grécia. Mais uma vez nada de novo.

Ora, lembremos o que nos levou aos programas de austeridade que diariamente nos empobrece e atormentam, primeiro gastamos o que não tínhamos e segundo pedimos o que não podíamos pagar, ponto.
Não obstante, derretemos todo esse fácil excedente em investimentos que na sua maior parte foram duvidosos e não alavancadores da nossa frágil e débil economia. Investimentos que deveriam ter sido em estrutura e não em infraestrutura, que é de voto fácil e de visibilidade imediata. Lá em casa, o maná serviu para uma orgia de consumo, alimentado e fomentado por instituições financeiras minadas pela ganância da margem gorda e dos dividendos dourados, sem vergonha e sem pudor, nossa e deles. Agora o paradigma da mudança é vociferado a todos nós, réus desta crise, sobre a forma de apelo à responsabilidade cívica da perda de direitos adquiridos, leia-se privilégios, e brutal incremento de obrigações, leia-se desmocratização (alguns blogistas referem-se ao PDEC-Processo de Desmocratização Em Curso).

Dito isto, simples cidadãos desta ainda República, percebendo e bovinamente aceitando as medidas que impostas sob a capa da legitimidade democrática do poder eleito, não do nomeado que é um subproduto desviante deste modelo constitucional, deparam-se com uma confusa ambivalência desmotivadora e arrasadora da ainda sobrevivente e moribunda moral do servidor público - A OBRA.
Proliferam parangonas da dita, diariamente, sistematicamente, malhando em ferro frio, uma ideia que à exaustão repetida como benéfica solução, qual panaceia, deusa grega da cura que banhará com rios de ouro e mel os empresários e habitantes de uma Angra do Heroísmo moribunda, atolada na pesporrência das ideias e soluções de muitos oportunistas desligados do verdadeiro servir e do bem-comum.
Como sempre, fomos doutamente doutrinados no axioma da betonização do território, símbolo e caminho para o primeiro mundo que ilusória e arrogantemente acreditamos merecer sem esforço, sem risco e sem trabalho, e agora chegou o tempo dos paquetes, que chegarão quais chárters cheios de chineses, e cada um com 40 Euros no bolso, no mínimo, para esbanjar em donas-amélias e hortenses secas, é um facto.

A verdade é que a obra proposta é má, não presta, não tem viabilidade prática de utilização, a operacionalidade está severamente condicionada, não serve para aquilo que se propõe. Além disso custa uma fortuna, não os 60 milhões de euros mas mais do que o dobro. Podemos compara-la ao malogrado ATLÂNTIDA, uma fortuna flutuante e decadente que não tem utilidade, muito bonito por dentro mas que não serve para aquilo que foi incompetentemente projectado, ou seja navegar em segurança, e transportar passageiros e carga. E é por isso que mais ninguém quer o navio. Resumindo é caro e não presta.

Um navio, correcção, um enorme navio não é um carro que se arruma em qualquer buraco, a sua mobilidade não está sujeita ao atrito constante do asfalto sob o pneu, num navio é um derrapar constante digno de qualquer troço de terra batida. Quem tenha um pequeno bote sabe por experiência prática do que se fala, mas lembremos que quanto maior a nau maior a tormenta.
Apresentar um projecto feito e aprovado sem ouvir e tomar em conta a opinião e as propostas dos técnicos habilitados para o efeito, os verdadeiros utilizadores de tal infraestrutura, denota a mais desprezível fraude intelectual alguma vez feita neste importante sector. Trata-se de uma manipulação eleitoralista feita com o intuito de sacar o voto ao vaidoso e invejoso bairrista Terceirense, incauto que sonha em ver navios de  bolso vazio mas de alma cheia. Um nojo.

Este novo-riquismo militante, ideia absurda de pensar que uma economia deficitária pode suportar os encargos de construção e manutenção de dois portos numa ilha de 56.000 habitantes e distanciados por 22 km, não nos afundará, enterrar-nos-á sim, bem fundo no solo marinho, o qual diga-se deveríamos estar a explorar para nosso gáudio. Gostaríamos de que a risível discussão pública do projecto fosse, tal como foi prometido, acompanhada do estudo de viabilidade económica do empreendimento, só por uma questão ética. Gostaríamos de ver. E por mera curiosidade lembre-se que os passageiros que por cá passam e viajam não pagam taxa portuária, é caricato, nos aeroportos paga-se nos portos não, pois!

Não digam que ninguém vos disse, o caminho seguido aponta para a desgraça.
Temos dito.

Praia da Vitória, 02 de Fevereiro de 2012.
Os pilotos da Secção de Pilotagem da Direcção Geral dos Portos das Ilhas Terceira e Graciosa. ( assinaturas legíveis).