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terça-feira, 21 de junho de 2016

TRANSPORTES MARÍTIMOS - MANUTENÇÃO VERSUS FIM DAS OBRIGAÇÕES DE SERVIÇO PÚBLICO


TRANSPORTES MARÍTIMOS - MANUTENÇÃO VERSUS FIM DAS OBRIGAÇÕES DE SERVIÇO PÚBLICO
José Ribeiro Pinto
Foi divulgado, recentemente, um trabalho do comandante Lizuarte Machado (LM) sobre as estimativas de custos dos diferentes modelos de transporte marítimo de carga na Região. 
Depois do famoso estudo encomendado pela Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo à LOGISTEMA e apresentado em 2012, é a primeira vez que vem alguém apresentar um trabalho sobre o assunto. Note-se que nem sequer o Governo Regional (através do senhor Secretário Regional do Turismo e Transportes) quando foi à Comissão Parlamentar dizer que aquele estudo estava errado e que não era necessário fazer-se nenhum estudo conforme pedido pelo CDS-PP, apresentou publicamente qualquer estudo ou relatório que apoiasse a sua decisão. Por isso fico muito satisfeito pelo facto de LM) publicar agora as suas reflexões e, mais ainda, por pedir que os vários interessados neste assunto apresentem críticas e sugestões a fim de, uma vez por todas, tentarmos chegar a uma conclusão (ele próprio teve a amabilidade de me telefonar a explicar esta sua posição). Apesar de ter tido muito pouco tempo, por ter de sair para fora por uns tempos, gostava de deixar algumas notas sobre estas reflexões do meu amigo LM.    
Para começar devo dizer que a questão que serve de título à reflexão de LM - MANUTENÇÃO VERSUS FIM DAS OBRIGAÇÕES DE SERVIÇO PÚBLICO nem se deve colocar, uma vez que é tão óbvia a necessidade de “proteger” o transporte para uma série de ilhas, que esta actividade, apesar de liberalizada, terá de continuar a ter algum nível de regulamentação.
Nesta sua reflexão LM parte do princípio que as ligações inter-ilhas serão sempre pouco fiáveis. Não vejo porquê. Se se criar esse serviço devidamente estudado e organizado ele terá que ser tão ou mais fiável do que é hoje em dia. Terá que ser assim e não vale a pena estar à partida a lançar suspeitas sem qualquer fundamento.
Por outro lado LM rejeita liminarmente os ferries que o Governo pretende comprar, por considerar que eles darão um prejuízo anual de 10 milhões de euros. Na minha opinião devia-se estudar bem que tipo de navios nos interessa mais de forma a poderem contribuir de forma eficaz para o transporte inter-ilhas não só de passageiros mas também de carga, que seria rodada, entrando assim no modelo.
É pena que LM não tenha explicado como chegou em cada caso aos custos respectivos, ou seja, LM apresenta sempre as respectivas estruturas de custo mas não explica claramente como chega aos valores nelas expressos. 
Mesmo assim, dá para perceber que em todas as alternativas estudadas LM usa sempre o mesmo tipo de navio, igual aos actuais, ou seja, considera, nas ligações Continente – Açores, que os navios são do mesmo tipo que o “Corvo” ou o “Monte da Guia”, por exemplo, com meios próprios de descarga (gruas de bordo). Ora uma das possíveis vantagens de haver apenas um ou dois HUB (PDL ou PDL e PV) devidamente equipados com gruas portuárias, seria esses navios não necessitarem de gruas próprias e portanto serem mais baratos. Outra vantagem seria a descarga/carga dos navios ser mais rápida e barata, Claro que assim sendo, o trabalho de LM apresenta sempre custos mais elevados neste ramo do sistema, o qual representa a fatia maior do pacote de custos e aquela que, trazendo poupanças, permitirá a subsidiação cruzada.
Embora logicamente LM tivesse que começar as suas reflexões por dados concretos e por isso utiliza as estatísticas de 2015, parece-me que se devia ver o que aconteceria se os números de movimentos fossem da ordem dos verificados antes da crise, como por exemplo os da década passada. Esperando-se que saiamos do marasmo em que nos encontramos e que a economia revitalize, será natural que o número de movimentos aumente e que portanto os custos se diluem.
Por outro lado - e esta é uma questão fundamental nisto tudo – deseja-se um modelo que entre outras coisas dinamize o mercado interno. Assim sendo, o movimento de carga inter-ilhas tenderá a aumentar o que nunca é referido nem reflectido nas reflexões de LM
É estranho que tendo sido consideradas tantas hipóteses, não tenha sido estudada aquela de que mais se tem falado e que era a apontada no referido estudo da LOGISTEMA, que se diz estar errado, ou seja, a hipótese de haver dois HUB, um em Ponta Delgada e outro na Praia da Vitória. Neste caso haveria navios directos a fazerem Continente/PDL/Continente com a carga para e de S. Miguel/ Santa Maria e Continente /PV/Continente com a carga para e das restantes ilhas. Esta falha é tanto mais importante quanto o próprio trabalho chega à conclusão que a hipótese HUB em PD com escala na PV seria inferior ao Modelo com HUB em Ponta Delgada em 7.755.580 €!        
É super óbvio que não é possível estabelecer uma política de transportes para a região apenas com um HUB na Praia da Vitória ou na Horta, uma vez que S.Miguel tem 60% da carga! Nem percebo porque é que LM se deu ao trabalho de fazer esse exercício!
Do mesmo modo a hipótese do Governo Regional optar pelo lançamento de um concurso público internacional para a concessão do abastecimento/escoamento a todas as Ilhas da Região não é possível. Como diz LM e todos concordamos, “será pura especulação pensar em tal possibilidade dado não se vislumbrar como fazer prova de que a Região não está normal e regularmente abastecida”
Quanto às outras hipóteses, como disse acima, há alguns aspectos que ainda devem ser tidos em conta, pelo que acho que ainda não se pode tirar a conclusão de que “a criação de “hub´s” nos principais portos da Região,… vai provocar aumento de custos”.
LM não tira explicitamente a conclusão de que o actual modelo é o que melhor serve todas as ilhas dos Açores, mas é óbvio que uma leitura atenta do documento leva-nos fatalmente para aí. Atendendo ao que acima referi, acho que ainda falta fazer muito para se chegar a essa conclusão.
Aliás, a principal conclusão a que se deve chegar é que, após a publicação deste trabalho Sandro Paim e a Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo têm que chamar a LOGISTEMA e pedir-lhe para explicar o seu estudo face a este, tanto mais que LM afirma “os estudos até agora efetuados são inúteis porquanto assentam em alguns caprichos pessoais mas não no mercado real. Limitaram-se a dar resposta e a tentar justificar os pressupostos impostos por quem os encomendou”.
Finalmente acho estranha a seguinte afirmação (e não reflexão) de LM no último capítulo referente ao Plano Logístico dos Açores: “Lembro que estabelecer administrativamente e contra o interesse económico geral uma plataforma logística única, ou mesmo duas, para o transporte marítimo regional e para a cabotagem insular, não trará qualquer benefício, trará, isso sim, graves prejuízos às ilhas do Triângulo e do Grupo Ocidental. A centralização numa porta de entrada, para posterior redistribuição, implicará atrasos na chegada das cargas ao porto de destino bem como enormíssimos acréscimos de custos”. Se LM pensa assim para que é que faz as reflexões anteriores. Não será legítimo pensar que as mesmas estarão à partida afectadas por aquela sua afirmação de princípio? E não é verdade que todos os armadores já fazem isso no porto de P. Delgada, mudando os contentores de uns navios para os outros?
As plataformas logísticas não necessitam de ser criadas administrativamente. O mercado encarrega-se naturalmente de as criar!
Um grande abraço de agradecimento ao Amigo Lizuarte por estas suas reflexões!
(JRP não respeita o acordo ortográfico)

O artigo do Cte Lizuarte Machado pode ser lido AQUI!

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O PORTO DAS PIPAS E O NOSSO DINHEIRO – Capítulo 2

Artigo da autoria do Eng. José Ribeiro Pinto, Terceira.
Começo por voltar a dizer que sou daquelas pessoas que pensam que todo o dinheiro que o Governo e as Câmaras Municipais gastam é nosso, do povo, mesmo aquele que nos foi dado pela União Europeia (os chamados Fundos Comunitários). Por isso, não vou na conversa de que “nesta obra ou nesta aquisição só gastamos 15% porque o resto é pago pela União Europeia”. Não, o dinheiro é-nos dado pela UE e nós gastamo-lo como quisermos, ou melhor devemos gastá-lo o melhor possível! 
No início do mês de Março (notícia no DI de 5 de Março) os Senhores Presidentes do Governo Regional e da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo anunciaram no final de uma reunião entre ambos que a solução para a requalificação do Porto das Pipas já estava encontrada, agradando a ambas as partes, mas que só seria conhecida “dentro em breve”. O autarca de Angra do Heroísmo adiantou que “as obras vão permitir que o porto receba sem restrição navios até aos 150 metros, com rampa rol-on/rol-off, que permite a operação de navios que tenham acesso de viaturas. O Porto das Pipas não terá um cais de cruzeiros, como anteriormente prometido, mas também poderá receber cruzeiros temáticos””. E o Sr. Presidente do Governo acrescentou: “Mais importante que as terminologias é a funcionalidade e mais ainda o potencial que essa infraestrutura pode ter…podendo ser um factor de atractividade de mais escalas ainda de cruzeiros temáticos…”, deixando claro (sublinhado nosso) que “não há intenção de transferir navios da Praia da Vitória para Angra do Heroísmo”.
No Diário Insular de 23 do mesmo mês o Sr. Presidente da Câmara revelou que o Porto das Pipas terá um cais prolongado para Sul de cerca de 94 metros, para garantir uma frente de acostagem de 140 metros e uma rampa roll-on/roll-off na extremidade Norte deste cais (portanto à entrada da marina) com 22 metros de largura possibilitando não só a operação dos navios do tipo do “Santorini” como até a operação do “Mestre Simão” e do “Gilberto Mariano” ao mesmo tempo!!! Considera ainda que, embora não esteja prevista a transferência da operação da PV para AH, nas Sanjoaninas ou em alturas de maior procura por AH, o porto já estará preparado para receber os navios de média dimensão e está satisfeito porque esta solução não condiciona futuras obras.
Eu acho isto extraordinário! Quantos cruzeiros temáticos recebemos na Terceira em cada ano? 0, 1 ou 2? E a maior parte deles até pode atracar no cais actual! Quantos é que vamos receber mais? Não sabemos e, o mais provável é que não passemos disto, porque não é fácil atrair cruzeiros temáticos aos Açores. Como o Sr. Presidente do Governo afirma claramente que a operação dos ferries não vai passar da Praia para Angra, então o Governo Regional está disponível para gastar 10 milhões de euros no Porto das Pipas sem nenhuma razão forte que o justifique, a não ser satisfazer a vontade do Sr. Presidente da Câmara, que acha muito importante que o navio Santorini venha a Angra nas Sanjoaninas!
É que a questão não seria a obra (digo seria porque não acredito que venha a ser feita) não condicionar futuras obras naquele porto e manter todas as possibilidades de outras obras em aberto. A questão é outra e muito simples:
-1.º - Não estamos a nadar em dinheiro.
- 2.º - A obra praticamente não serve para nada.  
Falemos claro: De facto não faz qualquer sentido pensar mudar os ferries da Praia para Angra. E parece que afinal estamos todos de acordo quanto a isso! Com os novos ferries a transportar carga rodada e seja lá o que mais for, a hipótese de mudança ainda mais impossível seria.
Infelizmente não vai haver mais cruzeiros temáticos no Porto das Pipas! É um facto. E também é “super-óbvio” que nunca teremos a operação dos navios “Mestre Simão” e “Gilberto Mariano” ao mesmo tempo, neste porto, pelo que não faz sentido, por isso, uma rampa com 22 metros de largura.  
Assim sendo, o que importa é fazer no Porto das Pipas uma rampa adequada ao “Mestre Simão” e mais nada!
Esses 10 milhões serão muito mais necessários e urgentes no Porto da Praia da Vitória. Quando tivermos os dois novos ferries é evidente que teremos que ter naquele porto duas rampas, e provavelmente dois cais, pois a maior parte das vezes os dois navios deverão operar ao mesmo tempo. Os passageiros e cargas que vêm num navio e mudam para o outro não podem ficar em cima do cais à espera que saia um ferry para entrar o outro!!!   
Aliás, já vai sendo tempo, também, de pensar em ampliar e requalificar a Gare de Passageiros do Porto da Praia da Vitória. São muitos os passageiros que passam neste porto e muitas vezes com tempos de espera grandes e com enorme desconforto.
Por outro lado, também é urgentíssimo rever a maneira como a promoção de Angra do Heroísmo tem sido feita (ou, provavelmente, até nem tem sido feita…) relativamente aos cruzeiros. É inacreditável que, passando nos Açores cerca de 140 cruzeiros, só 20 é que venham à Terceira – Há duas razões: A promoção não é bem feita e os operadores nem sabem que Angra - Património Mundial existe e, por outro lado, só há uma dúzia de autocarros na ilha, quando devia haver o dobro, pelo menos. Seria bem melhor que os Srs. Presidentes das Câmaras da ilha se preocupassem com isto e que o Sr. Presidente do Governo tivesse mais atenção com os gastos do dinheiro.
È que o dinheiro é nosso e é pouco para ser deitado ao mar com ideias peregrinas!  
* Não respeita o acordo ortográfico

O PORTO DE PIPAS E O NOSSO DINHEIRO  - Capítulo 1 (AQUI)

quarta-feira, 24 de junho de 2015

O PORTO DE PONTA DELGADA E O NOSSO DINHEIRO

O Presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, Mário Fortuna, considerou no ‘Correio dos Açores’ a necessidade de um porto complementar ao actual porto comercial de Ponta Delgada, defendido por largos sectores da actividade económica micaelense, como “um projecto de competitividade” e, por esta via, “um investimento estratégico” para São Miguel e para os Açores.
Salienta, por outro lado, que “temos que nos preparar também para os granéis gasosos porque se eles vão ser substancialmente mais baratos no futuro, é fundamental que o porto de Ponta Delgada esteja capacitado para abastecimento dos barcos que aqui operam como também o gás que vai ser utilizado quer na hotelaria, como é fundamental, nas nossas indústrias transformadoras, particularmente os lacticínios”.
“Basicamente, Ponta Delgada não pode ficar afastada dos factores de competitividade energéticos que possam surgir num futuro próximo”, afirmou Mário Fortuna.
O ‘patrão dos patrões’ entende mesmo que este projecto “deve, desde já, ser contemplado no actual Quadro Comunitário de Apoio, fazendo-se uma adequada reprogramação do investimento”.
O Presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada deixa mesmo claro que este tema “está a ser colocado na nossa agenda como sendo um tema de interesse para melhorar a competitividade de São Miguel. Não temos a veleidade de querer resolver problemas de outras ilhas”, concluiu.
Está tudo dito! Clarinho como água!
O Porto da Praia da Vitória existe? Tem capacidade para alguma coisa de útil para os Açores? O Governo Nacional e o Governo dos Açores estão a trabalhar junto da União Europeia para “definir o Porto da Praia da Vitoria como o porto abastecedor nacional de GNL - Gás Natural Liquefeito, para as travessias transatlânticas e consequente candidatura nacional do mesmo ao Programa European Connecting Facility? Metade dos contentores de Lisboa para os Açores (Terceira, Pico, S. Jorge, Graciosa, Faial, Flores e Corvo) transportados directamente para o Porto da Praia da Vitória e depois distribuídos tornam o sistema de transporte marítimo mais eficaz, ou seja, mais rápido e barato?
Nada disso interessa ao Senhor Presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada e, provavelmente com razão!
De facto, o que é que se tem feito? 
Perante a questão da distribuição inter-ilhas a partir da Praia da Vitória, vem Faial e Pico cramar que não podem deixar de ter transportes directos do Continente, quando estamos fartos de saber que a grande maioria dos seus contentores são descarregados em P. Delgada e baldeados para outros navios e vice-versa.
Perante a questão dos novos ferries, insiste a Atlânticoline, correia de transmissão do Governo, que vai comprar dois ferries de 600 passageiros, 120 viaturas e 10 a 20 contentores, não se vendo qualquer abertura para a realização de um estudo comprovativo da melhor solução, apesar dos alertas entretanto lançados.  
O Governo dos Açores continua “fixado” na inacreditável e escandalosamente desnecessária ideia de gastar 10 milhões de euros no Porto de Angra do Heroísmo, em vez de os investir no Porto da Praia da Vitória.
O mesmo Governo promete fazer um novo Terminal em S. Roque do Pico sem ter qualquer estudo sobre o transporte marítimo nos Açores, a não ser uns palpites da Atlânticoline. 
Sinceramente acho tudo isto espantoso. Como é possível vir o Presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada reivindicar “um porto complementar ao actual porto comercial de Ponta Delgada” sem primeiro ter todas as respostas anteriores? E tem os estudos reais? Sabe quanto custa?
Alguém já analisou, a começar pela Portos dos Açores e depois o Governo Regional e finalmente a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, como é que funciona actualmente o Porto de Ponta Delgada? Será que não haverá muita coisa a melhorar – Portos dos Açores, Empresa de Estiva (OPERPDL) e Sindicato?
E o que é que fazem as outras ilhas, a começar pela Terceira, que já tem o tal porto, perante tal desvio desnecessário de dinheiros para S. Miguel?
Hoje, infelizmente, começa a ser claro que tal coisa é possível, pela simples razão de que já não somos uma Região, embora o dinheiro seja de todos nós! 
© Copyright texto: Eng. José Ribeiro Pinto

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Transportes marítimos: tema sempre actual

© Copyright texto: Eng. José Ribeiro Pinto, Terceira.
Todos nós, Açorianos, temos, ou devíamos ter, a maior admiração e respeito pelo Senhor Gustavo Moura, decano dos nossos jornalistas e, felizmente, uma mente sempre atenta e interventiva sobre os importantes assuntos que se nos colocam.
Dito isto, venho aqui fazer algumas considerações sobre o artigo que o Senhor Gustavo Moura publicou no Diário Insular, sob o título que eu aqui também estou usando, no passado dia 16. 
Diz o nosso amigo que tem lido com interesse os artigos que eu tenho publicado na imprensa regional sobre os transportes marítimos inter-ilhas. Diz, então, que eu defendo um sistema de transportes que sirva de incentivo a um mais intenso comércio interno com a exportação de produtos de cada ilha, o que é verdade. Mas estranha ele que, nos meus artigos e sugestões de alterações, "não tenha eu tido uma única palavra para o serviço que as empresas privadas "Transportes Marítimos Graciosenses" e "Empresa de Lanchas do Pico" estão há bastante tempo a oferecer desde a Horta até à Terceira, num serviço de porta a porta, que, na sua opinião (de Gustavo Moura), pode muito bem servir esse desiderato, um aumento de trocas comerciais entre as ilhas", até porque: "Já teve a oportunidade de, por mais de uma vez, observar o serviço dos navios da "TMG" no pequeno porto da Calheta de São Jorge, podendo constatar a sua eficácia e rapidez e, no que lhe foi possível averiguar, a um preço conveniente". Levanta ainda a suspeita de que eu lá terei as minhas razões para não falar do serviço dessas duas empresas, que ele, "embora leigo na matéria, julga que têm revelado dinamismo e capacidade de iniciativa e oferecido um serviço de qualidade e muita importância, que podemos considerar fiável ... pelo que deveriam ser chamadas a debater o problema, que conhecem como ninguém, da compra de dois ferries pelo Governo Regional".
Caro Senhor Gustavo Moura: Em primeiro lugar tenho que lhe dizer que, em quase todos os artigos que nos últimos dois anos e meio tenho publicado sobre o assunto, referi que o Governo Regional deve envolver todos os actuais operadores: armadores da Cabotagem (Mutualista, Transinsular e Boxlines), armadores do Tráfego Local (Pareces, TMGs, Lanchas do Pico e Mareocidental), Câmaras do Comércio, Transitários, Portos dos Açores, Capitanias, Empresas de Estiva Sindicatos, etc). Sempre o tenho dito, pelo que não é verdadeira a sua afirmação de que "não tenha eu tido uma única palavra para o serviço que as empresas privadas "Transportes Marítimos Graciosenses" e "Empresa de Lanchas do Pico estão há bastante tempo a oferecer...". Ainda no meu último artigo "Os dois ferries e o nosso dinheiro", publicado há duas ou três semanas, dizia eu: "...e o Governo devia também falar com os armadores actualmente instalados no mercado, quer os grandes, quer os do tráfego local, de forma a ajudar a "criar" uma(s) empresa(s) que fizessem a exploração dos vários navios (Continente - Açores e Inter-ilhas)".
De facto, acho que o Governo o deve fazer porque, a haver qualquer alteração no sistema de transportes marítimos, deve envolver e contar com a experiência de todos esses parceiros de forma a ganhar esses contributos e a não os prejudicar indevidamente. Naturalmente, caberá a cada um deles aceitar participar ou não na nova solução. Portanto não só não tenho razões para não falar nesse serviço, como entendo que ele tem sido importante e, por isso, estas empresas devem participar na solução.
Mas, por outro lugar, o Senhor Gustavo Moura diz que estas empresas "estão há bastante tempo a oferecer desde a Horta até à Terceira um serviço de porta a porta que, na sua opinião pode muito bem servir esse desiderato, um aumento de trocas comerciais entre as ilhas".
Caro Senhor: Tanto quanto sei, pelo menos os TMG não fazem nenhum serviço "porta a porta",mas sim cais a cais. Não é muito importante para aquilo que hoje aqui me traz, mas fica o esclarecimento. O que realmente me admira é que venha dizer que o serviço feito por estas empresas pode muito bem servir esse desiderato, um aumento de trocas comerciais entre as ilhas! O Senhor acredita mesmo nisso? Então, porque é que tal aumento não só não se tem vindo a verificar, como até tem diminuído? E, se acredita, porque é que não diz ao Governo que não precisa de comprar ferries? 
Ou será que, com este seu artigo, está precisamente a querer dizer que temos um serviço maravilhoso e barato prestado por estas duas empresas e que não precisamos de nenhuma alternativa (refere aliás a discordância - a palavra é sua - do deputado socialista Comandante Lizuarte Machado quanto à compra dos ferries)?
É que eu proponho que os dois ferries sejam dimensionados de maneira a que possam transportar cargas contribuindo para o desenvolvimento do transporte inter-ilhas e, consequentemente, do desenvolvimento sustentado do comércio interno.

terça-feira, 31 de março de 2015

OS DOIS FERRIES E O NOSSO DINHEIRO

Artigo de: Eng. José Ribeiro Pinto
O Governo Regional decidiu comprar dois ferries iguais com capacidade para 600 passageiros, 150 viaturas e 15 a 20 contentores por cerca de 83 milhões de euros.
Este assunto já rola há muito tempo mas, infelizmente, nunca foram apresentados estudos que justificassem a escolha. Sabemos apenas que a Atlanticoline, através duns estudos internos e, eventualmente, da experiência adquirida ao longo destes últimos anos (talvez olhando para o número de passageiros e de viaturas transportados durante os dias de festa de Verão), terá concluído que aqueles seriam os ferries adequados. Também sabemos que, de acordo com informações da própria Atlanticoline, a exploração dos actuais ferries alugados gera receitas que quase não dão para pagar o combustível.
O Sr. Deputado socialista Cmdt. Lizuarte Machado já afirmou repetidas vezes que a exploração dos novos ferries terá um prejuízo anual da ordem dos 10 milhões de euros. Também me parece que sim. No entanto o Sr. Secretário Regional dos Turismo e Transportes afirma (ver programa “Direito de Resposta” da RTP – Açores, de 13 de Março passado) que ao fim do sexto ano de exploração dos novos navios a Região poupará 2,5 milhões de euros relativamente ao custo anual de 4,5 milhões que tem com os actuais navios. Lizuarte Machado mostrou, em artigo publicado no passado dia 10 de Outubro e nunca contrariado, que os estudos feitos pela Atlanticoline, nos quais, certamente, o Sr. Secretário se baseia, são simplistas (para não chamar outra coisa) e deixam de fora 4.750.000 € para além de outros custos.  
O Sr. Secretário Regional diz ainda que um dos objectivos da Região com esta solução é o desenvolvimento do Mercado Interno, mas acrescenta que o Governo ainda não sabe se os navios navegarão o ano inteiro.
A primeira questão que naturalmente me surge é a seguinte: Como é que o Governo quer desenvolver o Mercado Interno se os navios, que serão o motor desse desenvolvimento, só navegarem no Verão???  
É por demais evidente que os navios terão que navegar o ano inteiro, pois só assim é que podemos dar resposta às necessidades do mercado e porque o desenvolvimento desse Mercado Interno deve ser um Desígnio Regional !
Outra questão óbvia é: Porque é que face aos números apresentados várias vezes por Lizuarte Machado o Governo não apresenta os seus números de forma clara para vermos quem é que tem razão?
Para mim é evidente que toda esta questão está mal estudada pelo Governo e pela Atlanticoline, pondo em causa 83 milhões de euros que são nossos!
Mas eu acho que pode valer a pena gastar esse dinheiro que é nosso. Vejamos as coisas assim:
Não há dúvida que temos que desenvolver o mercado interno que actualmente é insípido. Para tal temos que ter um sistema de transportes marítimos eficiente, o qual passa, obviamente, por uma capacidade de distribuição de mercadorias inter-ilhas rápida e frequente. Para tal temos que ter navios, nossos ou fretados, que façam esse serviço durante todo o ano e, contrariamente ao que afirmou o Sr. Secretário Regional, que acha que devemos começar com os navios a navegar apenas alguns meses do ano para ver qual é a procura, esse serviço tem que estar disponível e correctamente divulgado para que os produtores acreditem que vale a pena produzir. Não se pode esperar que haja meloas e maçãs a apodrecer à espera de navios, para implementar o transporte marítimo! É ao contrário, Sr. Secretário!
Lizuarte Machado não acredita nos ferries. Eu acho que devemos estudar bem essa possibilidade, pois, já que temos que ter ferries para os passageiros, pode ser que baste acrescentar-lhes a carga para melhorar a sua exploração.
A questão, para mim, é saber que carga temos para transportar nesses navios. Pelas afirmações do Sr. Secretário, parece que o Governo apenas quer “meter” nesses navios umas carrinhas com as tais meloas e outras pequenas cargas produzidas nos Açores mais uma dúzia de contentores. Ora é claro que só esta carga, (embora representando um enorme mas caríssimo avanço) não chega.   
Já por várias vezes disse, e há estudos que o demonstram, que o actual modelo de transportes marítimos desde o Continente aos Açores é caríssimo e está ultrapassado. (Os armadores instalados dizem que o sistema é praticamente perfeito, pois serve todas as ilhas e é auto-sustentável, ou seja, não absorve apoios e subsídios do Governo. De facto, o Governo não paga nada aos armadores, mas pagamos nós todos os contentores mais caros do mundo (ou quase) no supermercado e nas outras compras! 
Há pois, aqui, uma argumentação malandra!…A verdade é que o Governo não precisa de dar subsídios, porque todos os açorianos pagam mais do que deviam pagar!).
Se tivermos apenas dois portos de entrada nos Açores (P. Delgada e P. Vitória) podemos poupar mais de 20 milhões de euros. Como a distribuição inter-ilhas custará mais 10 milhões, se tudo estiver bem organizado, teremos uma poupança global superior a 10 milhões, ou seja, mais de 10% do custo actual, com a vantagem, já referida, de passarmos a ter um mercado interno desenvolvido!
Como isto, contrariamente ao que possa parecer, não é apenas um sonho – mais ano menos ano vai ter que acontecer – acho que o Governo, se quer comprar os tais navios, devia primeiro estudar bem que navios serão necessários. Se para 300, 600 ou 800 passageiros, se para 50, 100 ou 300 viaturas, se para 5, 20, 50 ou 100 contentores, etc., ou se não será melhor fretar os navios. É que, a partir do momento em que tivermos navios a transportar inter-ilhas pessoas e carga todo o ano, tudo o resto virá mais ou menos suavemente por acréscimo. 
Não podemos correr o risco de gastar 83 milhões de euros em navios que não estarão adaptados ao negócio que aí vem!
E o Governo devia também falar com os armadores actualmente instalados no mercado, quer os grandes, quer os do tráfego local, de forma a ajudar a “criar” uma(s) empresa(s) que fizessem a exploração dos vários navios (Continente – Açores e Inter-ilhas). O Sr. Secretário diz apenas que vai fazer uma concessão do serviço e que, com isso, a concorrência se resolve. Acha o Governo que, num mercado tão pequeno como o nosso, isso é possível? 
Parece-me que estamos na altura exacta para parar e estudar, pois da forma como as coisas têm sido (mal) explicadas, certamente não iremos a lado nenhum, ou melhor, como diz Lizuarte Machado, “iremos parar ao abismo”, gastando alegremente o nosso dinheiro!  

terça-feira, 17 de março de 2015

O PORTO DE PIPAS E O NOSSO DINHEIRO

Artigo de Eng. José Ribeiro Pinto


Começo por informar que sou daquelas pessoas que pensam que todo o dinheiro que o Governo e as Câmaras Municipais gastam é nosso, do povo, mesmo aquele que nos foi dado pela União Europeia (os chamados Fundos Comunitários). Por isso, não vou na conversa de que “nesta obra ou nesta aquisição só gastamos 15% porque o resto é pago pela Comunidade Europeia”. Não, o dinheiro é-nos dado pela UE e nós gastamo-lo como quisermos, ou melhor devemos gastá-lo o melhor possível! 
Por razões que não interessam para aqui, só agora tive oportunidade de ler o PREIT – Plano de Revitalização Económica da Ilha Terceira. Naturalmente, por falta de competência, não vou aqui analisar o documento. Vejamos apenas uma questão que me saltou à vista sobre um assunto que conheço relativamente bem.
O PREIT refere no capítulo “Medidas a adotar pelo Governo dos Açores”, Eixo 6 – “Antecipação de obras e procedimentos previstos para a Terceira ao abrigo da Carta Regional de Obras Públicas” a intenção de “Antecipar os procedimentos e lançamento de obras previstas na CROP para a Ilha Terceira, a desenvolver em 2015”. A segunda obra mais cara que o Governo pretende lançar já é precisamente a “Construção da rampa para navios ro-ro e ferry, e obras complementares de abrigo do Porto de Pipas” pelo valor de 11.000.000 €, sim…onze milhões de euros!
Confesso que fiquei surpreendido,…assustado até. O Governo vai construir agora no Porto de Pipas uma rampa para navios ro-ro e ferry. Que navios serão estes? E obras complementares de abrigo para quê? Para novo(s) cais?
De facto uma rampa, que é urgentíssima, custará menos que 1 milhão de euros, pelo que os outros 10 milhões irão para um novo molhe e para um novo cais, suponho. 
Mas para que é que querem um novo cais? O Sr. Secretário Regional do Turismo e Transportes afirmou na passada 6.ª feira na RTP – Açores que os novos ferries que serão comprados transportarão passageiros e carga rolante (que poderá incluir 12 contentores). É por demais evidente que ninguém está à espera de ver os dois ferries com 1200 passageiros, dezenas e dezenas de automóveis e carrinhas, e ainda contentores, no Porto de Pipas. Para que seria então um novo cais? Para nada!
Até agora só tem escalado regularmente o Porto de Pipas o pequeno navio ro-ro “Gilberto Mariano” da Transmaçor (apenas no Verão passado) e, muito esporadicamente, pequenos navios de cruzeiros. E assim vai continuar a ser.
Ora, para este tráfego as actuais infra-estruturas chegam e sobram desde que se construa uma rampa para o navio “Gilberto Mariano” (e claro que outra no porto da Calheta de S. Jorge).
Não precisamos portanto de nenhum outro cais: O “Gilberto Mariano” ficará servido com uma rampa que custará quase 1 milhão de euros (porque o melhor sítio para ela é no lugar do actual cais de elevação de embarcações de recreio - o chamado cais do travel-lift – pelo que teremos de refazer este cais ao lado) e os outros navios, de cruzeiro, se forem pequenos encostam no cais “de fora”, como têm feito até agora, e se forem grandes, ficarão ao largo como ficam em centenas de portos famosos por esse mundo fora, se não quiserem ir para o Porto da Praia da Vitória (é curioso que este PREIT não refere especificamente a passagem para gestão da Portos dos Açores do chamado Porto dos Americanos…o que é uma pena!).
Com a compra dos novos ferries (cujas funções e características teremos que abordar em próximo artigo) o transporte marítimo de passageiros e de cargas vai mudar, e, assim sendo, todas estas coisas vão passar pelo porto da Praia da Vitória e não pelo de Angra. 
Melhor seria, e já uma vez aqui o escrevi, que o Governo e a Câmara Municipal de Angra se preocupassem mais em fazer uma promoção efectiva de Angra do Heroismo como cidade fundamental nos Açores para o Turismo de Cruzeiros
Caros Governantes: deixemo-nos de invenções estapafúrdias que custam milhões de euros e pensemos no que realmente necessitamos. Peguemos nesses 10 milhões de euros e invistamo-los no Porto da Praia da Vitória, a Bem da Região e dos nossos bolsos!    

quarta-feira, 28 de maio de 2014

RADIOTERAPIA NOS AÇORES E O PORTO DAS PIPAS

RADIOTERAPIA NOS AÇORES E O PORTO DAS PIPAS
© Texto: Eng. José Ribeiro Pinto
© Copyright foto : Carlos Medeiros, Terceira.
Na passada terça-feira, José Eduardo Machado Soares, com o bom senso e objectividade que todos devemos reconhecer-lhe, publicou no jornal Diário Insular, um brilhante artigo no qual apresenta as suas dúvidas sobre a justificação da implementação de um serviço de radioterapia nos Açores (note-se que ele fala sempre nos Açores, sem se preocupar se devia ser na Terceira ou em S. Miguel), salientando o que teria de grave e de irresponsabilidade decidir sobre a implementação nos Açores de um serviço tão sensível como é a radioterapia sem que tenham sido desenvolvidos os estudos necessários para o efeito.
A leitura deste artigo lembrou-me uns outros, também publicados aqui no DI no início do mês passado, sobre uma eventual ampliação do Porto das Pipas. Aí se dizia que estavam a ser estudadas várias soluções e que o projecto definitivo deverá ser uma realidade este Verão. Também o senhor Secretário Regional do Turismo e Transportes, aquando da apresentação do PIT – Plano Integrado de Transportes, referiu que “O cais de cruzeiros de Angra será substituído por um investimento ao nível da modernização e da operacionalidade do Porto das Pipas, dotando-o de uma rampa ro-ro (roll on, roll-off) e de uma solução que a seu tempo apresentaremos, que visa sobretudo dar a centralidade que Angra sempre teve e fomentar rotas tradicionais, como aquela que existia entre Angra e a Calheta de S. Jorge”.
Ora bem: Se se pretende resolver o problema da rampa para os novos navios “Mestre Simão” e “Gilberto Mariano”, basta construir uma rampa ro-ro – aliás já devia ter sido construída, pois os navios foram encomendados há mais de 3 anos. Como não foi, agora assiste-se à pouca vergonha de ter, a partir de 15 de Junho, um navio a escalar os dois portos, na tal rota tradicional, com capacidade para transportar viaturas, mas sem possibilidade de as carregar/descarregar em qualquer dos dois portos!!!
Afinal parece que há mais. Pretende-se dar a Angra a centralidade que sempre teve. Que centralidade é esta? Antes ela resultava do facto do porto de Angra ser o único da ilha. Agora a centralidade portuária está na Praia da Vitória e os navios são outros. Será que se pretende construir uma infra-estrutura no Porto das Pipas para servir todo o transporte de passageiros inter-ilhas? Vamos construir cais e rampas para o “Santorini” e para o “Helenic Wind” e depois para os dois ferries que já estamos a comprar?
Onde estão os estudos que justificam esta eventual opção que custará uns bons milhões de euros?
Já sabemos todos que os novos ferries só serão rentabilizados (ou pelo menos o seu prejuízo de exploração só será diminuído) se lhe metermos carga juntamente com os passageiros. Mais: Muitos já consideram que eles deverão passar a fazer parte da distribuição inter-ilhas das cargas vindas do Continente deixadas no porto da Praia da Vitória e vice-versa. É óbvio que esta operação nunca poderá ser feita no Porto das Pipas!
Como também é óbvio para quase toda a gente – o deputado Lizuarte Machado disse-o claramente ao senhor Secretário na televisão – que a operação dos ferries só com passageiros daria um prejuízo da ordem dos 10 milhões de euros por ano, resulta que tal operação, só com passageiros, nunca deverá ser feita no Porto das Pipas, pelo que, parafraseando o meu amigo José Eduardo Machado Soares, será grave e irresponsável decidir sobre a implementação de um grande cais neste porto, sem que tenham sido desenvolvidos os estudos necessários para o efeito.
O que me parece de todo aconselhável é construir urgentemente uma rampa no cais interior do Porto das Pipas, no local onde se encontra o cais do “travel-lift” deslocando este para o seu lado exterior. É uma obra rápida e barata que resolve completamente a questão dos navios Angra – Calheta.
Quanto à centralidade de Angra seria muito bom que o senhor Secretário e o senhor Presidente da Câmara de Angra do Heroísmo se inteirassem e alterassem a forma como tem sido feita a promoção do turismo de cruzeiros para os Açores. 
Como é que há dez anos só havia 27 navios de cruzeiros por ano em toda a Região (praticamente 9 em cada um dos três portos PDL, PV e Horta) e agora continua a haver 9 na Terceira e mais de 100 em P. Delgada? Acreditem que não é só o efeito Portas do Mar. Se os turistas que viajam nos cerca de 100 navios que vão a P. Delgada e não vêm à Terceira soubessem que estavam a passar ao largo de uma ilha que tem a única Cidade Património Mundial no Atlântico Norte e não lhes foi dada a possibilidade de a visitar, seguramente reclamariam com as suas Agências de Viagens e Companhias de Navegação!   
O Porto da Praia tem ou pode ter, facilmente, várias hipóteses de receber esses navios de cruzeiro, os quais também podem vir para Angra se preferirem, ficando ao largo como, por exemplo, fazem as centenas de navios de cruzeiros que escalam anualmente a ilha grega de Santorini que tem um porto mais pequeno que o do Corvo!     
Está na altura de repensar estas questões e poupar o dinheiro de todos nós.

quinta-feira, 6 de março de 2014

SOBRE “MALHANDO EM FERRO FRIO” DE LIZUARTE MACHADO

Artigo da autoria do Eng. José Ribeiro Pinto


O Sr. Deputado Lizuarte Machado (LM para simplificar) publicou no “Jornal do Pico” (Ler AQUI) de 28 de Janeiro um artigo com o título acima indicado, no qual se refere à Resolução nº. 9/2014 aprovada em Conselho do Governo no passado dia 20 de Janeiro a qual autoriza a empresa pública Atlânticoline a avançar com um concurso público internacional para a construção de dois navios com capacidade para 650 passageiros e 150 viaturas e cujo custo global rondará os 85 milhões de euros. De acordo com LM, a Região "não necessita, nunca necessitou e nunca necessitará de dois feries de médio porte". As contas que faz são simples: os lugares disponibilizados pelos atuais barcos fretados rondam os dois milhões e os passageiros transportados foram 50 mil, ou seja, 2,5% de taxa de ocupação. Acresce que a faturação conseguida não terá chegado para pagar o combustível. Conclui que o custo passageiro/milha será provavelmente o mais caro do mundo. Apesar de tudo, a Região persiste em mandar construir dois ferries por 85 milhões de Euros.
Quando li o artigo no facebook, de imediato enviei a LM o seguinte comentário: “Caro Amigo, gosto do seu texto na medida em que, tanto quanto se sabe, ainda não foi apresentado qualquer estudo que suporte a decisão. Serão navios para operar todo o ano com passageiros e carga? Mas, se sim, qual carga? É óbvio que só passageiros não chega e que só a carga gerada nas ilhas também não! Vamos esperar pela reação e eventuais explicações...”.
Depois de ouvir o noticiário e ler os textos publicados no DI voltei ao artigo com mais atenção e então algumas questões se me colocaram, a saber:
Desde logo há que corrigir a estatística apresentada por LM: De facto, é absolutamente oficial que, quer em 2012 como em 2013, os ferries (Santorini e Hellenic Wind) transportaram cerca de 130.000 passageiros e não 50.000 como afirma LM. Por outro lado o “Santorini” opera de início de Maio a início de Outubro, ou seja 5 meses, e o Hellenic opera 3 meses, ou seja 8 meses e não 9. O primeiro tem capacidade para 630 passageiros e o segundo 660. Se só fizessem uma viagem por dia e considerando uma paragem semanal para descanso do pessoal e manutenção, teríamos uma disponibilidade total de lugares de 630 x 5 x 26 + 660 x 3 x 26, ou seja 133.380 lugares. Como sabemos que o Hellenic faz normalmente duas viagens por dia, ou a Santa Maria ou à Praia da Vitória e que o Santorini faz normalmente uma viagem por dia mas corrida, tocando os Portos da P. Vitória, Graciosa, Velas, S. Roque e Horta e vice-versa, temos que admitir que a capacidade de lugares disponível é maior. Vamos admitir (um pouco toscamente, é certo) que é 5 vezes mais, ou seja, 5x133.800 = 666.900 lugares. Portanto resulta uma taxa de ocupação de cerca de 19.5% e não os incompreensíveis 2.5% indicados por LM. 
É óbvio que esta não é a questão fundamental, porque sejam 2,5%, ou 20%, a grande verdade é que, como LM diz e a Atlanticoline tinha informado, “a faturação conseguida não chegou para pagar o combustível”, o que fará que com tais taxas de ocupação o custo passageiro/milha será, muito provavelmente, o mais caro do mundo.
O problema é que LM afirma que “Como é sabido, a Região não necessita, nunca necessitou e nunca necessitará de dois Ferrys de médio porte”, mas não propõe qualquer alternativa a não ser que ”o resultado era suposto ser um modelo funcionando verdadeiramente articulado, com mais escalas, mas sem duplicações e oferta excessiva e inútil”, mas também não concretiza.
Ora bem! Parece-me não haver qualquer dúvida que a Região tem que ter um sistema de transporte de passageiros e viaturas. Hoje, já toda a gente está habituada a ele e não o dispensa! A questão é saber qual sistema. 
A primeira questão, óbvia, e que a operação de 2013 começou a provar, como na altura escrevi, é que estes navios têm que ter carga, nomeadamente a chamada carga rolada!
Se a Região vai adquirir os navios, então eles terão que operar todo o ano, ou então ser alugados durante a nossa época baixa. Creio que a primeira solução é melhor se pensarmos fundamentalmente na carga. Mas se transportam carga, vão entrar em concorrência com os operadores já instalados e até já com algumas dificuldades. Estamos a falar do tráfego local (Pareces, TMG, Barcos do Pico) e da cabotagem (Transinsular, Mutualista, Boxlines).
Então, parece-me que estamos chegados ao ponto em que temos que estudar todo o sistema de transporte marítimo. De facto, no total, as empresas indicadas têm a operar uma dúzia de navios e temos dos fretes mais caros do mundo, porque a carga não chega para a grande oferta disponível! É claro que, apesar de algumas vozes discordantes mas sem sentido dos bem instalados ou dos inconscientes, o actual modelo de transportes marítimos é caduco.
Não seria mais lógico o Governo desenvolver o estudo global do sistema de transporte marítimo de mercadorias Continente - Açores e Inter – Ilhas e de passageiros Inter – Ilhas, juntar os operadores e restantes comunidades portuárias (agentes, transitários, trabalhadores portuários, etc.) e fazer acordos, parcerias, etc., com vista à obtenção de um modelo mais eficaz e mais barato e eventualmente à concessão do Inter – Ilhas (carga e passageiros) a uma empresa ou associação que agrupasse as actuais interessadas no negócio, com aplicação de um sistema de taxas e subsídios que tornasse tudo viável?      
É claro que tudo isto tem que ser bem estudado e já o devia ter sido. Pelo que se vai sabendo, não consta ainda do Plano Estratégico de Transportes, mas esperamos que venha a constar…
Com diz LM e eu estou completamente de acordo: “É…absolutamente incompreensível que se avance para a construção de dois novos navios, com as características atrás referidas sem, tendo por base níveis de serviço adequados, definir o modelo a implementar, cumprindo a máxima do Governo; “ ajustar a oferta à procura “”. E ainda: “Qual o défice anual que apresentarão estes dois navios? Reconheço que, infelizmente, a pergunta parece ser irrelevante. Serão sempre os mesmos a, direta ou indiretamente, pagar”.
© Copyright texto: Eng. Ribeiro Pinto, Terceira.
© Copyright fotos: António Simas, S. Miguel; MM Bettencourt, Graciosa.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

AS NOVAS RAMPAS, O SANTORINI E O NOVO MODO DE TRANSPORTAR CARGAS NOS AÇORES

© Copyright texto: Eng. José Ribeiro Pinto, Terceira.
Terminou esta segunda-feira a operação de Verão do navio de passageiros (ferry) “Hellenic Wind”. Já no próximo dia 29 deste mês terminará a operação do seu navio parceiro “Santorini”.
O transporte marítimo de passageiros em navios “ferry” tem sido, sem dúvida nenhuma, um serviço que ao longo destes últimos anos (e já são bastantes) tem tido um enorme sucesso, tendo proporcionado, ao fim de largos anos de “jejum”, a possibilidade de qualquer pessoa/família viajar entre as nossas ilhas com certa facilidade, levando o seu carro, e a preços relativamente interessantes. De facto, hoje em dia, qualquer pessoa já consegue organizar, mais ou menos facilmente, as suas férias de verão em qualquer outra ilha, sem o problema de ter, necessariamente, que alugar carro.

O Governo dos Açores tem percebido este fenómeno e entendeu que devia comprar navios para esta operação. Infelizmente, por razões que não vêm ao caso, a coisa correu mal e o Governo viu-se na necessidade de continuar a alugar os necessários navios para que tudo continuasse a correr de acordo com as espectativas criadas e consolidadas.
O Dr. Vasco Cordeiro, meia dúzia de meses após ter tomado conta Secretaria Regional da Economia em 2008, ao participar com a Atlanticoline no novo aluguer de navios para esta operação, compreendeu, de imediato, que seria muitíssimo mais fácil e mais barato alugar navios com rampa à popa do que com rampa lateral. Para isso deu de imediato ordens para que fossem elaborados estudos e projectos para a construção de rampas de cais em todos os portos da Região (excepto Corvo). Em boa hora o fez e, em melhor ainda, mandou construí-las nos portos onde não existiam! Ficaram todas operacionais este Verão.    
Este foi então o primeiro Verão em que, em todos os portos, os navios operaram com as suas rampas de popa, as chamadas rampas ro-ro, as quais possibilitam, com muito maior facilidade e rapidez, a entrada e saída de viaturas, as quais passaram a poder ter, também, maiores dimensões.
Em Fevereiro passado, na sequência duma solicitação dos Deputados da Graciosa do PSD para que fosse feita uma experiência durante este verão, de transporte de mercadorias para e de aquela ilha naqueles navios, tive oportunidade de escrever que achava a ideia extremamente importante e portanto de ser levada a efeito. Confesso que não sei como é que o Governo dos Açores e a Atlânticoline encararam o assunto, pois não vi nenhuma reacção nem pública nem privada.
O que é certo, e extremamente importante, é que nas últimas semanas ocorreram algumas situações maravilhosas, inimagináveis há apenas um ano atrás, apesar de já falarmos nessa possibilidade/necessidade: Foi, entre outras, uma grua de dimensão apreciável que embarcou no Santorini na Graciosa com destino à Praia da Vitória, foi uma carrinha carregada de meloas da Graciosa que embarcou naquele porto para as ilhas do grupo Central – esteve no Pico e vi-a embarcar para a Graciosa no Domingo passado, provavelmente já noutra viagem – foi o camião com os cavalos carregado na Horta para a Graciosa para a participação dos mesmos numa prova de “dressage” e o seu regresso logo na segunda-feira, também no Santorini, ou, ainda, o camião com a sua “trela” que descarregou do Santorini em S. Jorge (vejam-se as fotos que apresentamos – verifica-se, em todos os casos, que foram as operações mais simples do mundo!). Notável! Tudo isto prova que algo começa a mudar.
Penso que a Atlanticoline não tinha preparado isto, mas a verdade é que agiu bem ao aceitar realizar estes transportes. Provavelmente os preços ainda não foram os melhores, mas, certamente as condições no seu conjunto já foram suficientemente interessantes para permitirem a opção.
Espera-se agora que o Governo dos Açores retire os ensinamentos adequados e proceda aos estudos necessários e urgentes, de forma a que muito mais carga rodada seja transportada neste modo de transporte “roll on – rol off”, durante todo o ano, permitindo um aumento do mercado interno. Para tal deverá trabalhar com todos os parceiros – Atlanticoline, Armadores, Empresas de estiva, Câmaras de Comércio, Sindicatos, etc.. Estou seguro que não será muito difícil.
Aliás, como se viu, as coisas já começaram a acontecer naturalmente! 
© Copyright fotos: MM Bettencourt, João Agostinho, Cpt Stefanos Papadopoulos.



Artigo da autoria do Sr. Eng. José Ribeiro Pinto, publicado anteriormente nos jornais, "Diário Insular" e "Jornal do Pico", publicado aqui com a devida autorização do seu autor a quem Agradeço!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

ALGUMAS NOTAS SOBRE O TRANSPORTE MARÍTIMO DOS AÇORES - 10


ALGUMAS NOTAS SOBRE O TRANSPORTE MARÍTIMO DOS AÇORES - 10
Copyright texto: Eng. José Ribeiro Pinto

No artigo anterior começámos a ver o transporte marítimo de passageiros, sabendo que estão em construção dois navios para operar todo o ano (esperamos) no Grupo Central. Como ligar este Grupo aos outros dois?
Como sabemos a Região encomendou, há uns anos, aos estaleiros de Viana do Castelo a construção de dois navios ferry. Por razões que aqui não interessa analisar o primeiro navio construído – o “Atlântida” – não foi aceite e o contrato foi rescindido pela Região.
Ora, parece-me que seria de repensar esta questão. Concretamente, parece-me que um ferry para passageiros e carga, tipo ro-ro poderia ser posto todo o ano ao serviço, ligando P. Delgada a Santa Maria e à P. Vitória. Fazia estas ligações pelo menos duas vezes por semana e faria o papel do navio que tínhamos sugerido para estes trajectos na primeira parte deste trabalho e também o papel que hoje é desempenhado no Verão normalmente pelo ferry “Hellenic Wind”
Fica por resolver a questão do transporte de passageiros e viaturas nos Grupos Central e Ocidental no Verão, período em que há uma grande afluência dos mesmos e o transporte de passageiros e viaturas para e das Flores no Inverno.
Confesso que não estou absolutamente seguro, mas parece-me que uma das hipóteses mais aconselháveis seria ter outro ferry com capacidade para servir todo o ano, fazendo o papel de um dos dois navios que tínhamos previsto fazer a distribuição de cargas nestes Grupos na primeira parte deste trabalho.
Pensando então globalmente teríamos: 
2 navios de grande dimensão, sem meios próprios de descarga, que fariam exclusivamente Continente – P. Delgada – Continente e Continente – P. Vitória – Continente.
3 navios, de preferência ro-ro (portanto com rampas de popa), sendo dois deles mistos de passageiros e carga (de preferência carga rolante) e o outro apenas de carga rolante. Dos dois primeiros, um faria apenas o serviço de passageiros e distribuição de carga entre P. Delgada, Santa Maria e P. Vitória. Os outros dois ficariam afectos à distribuição de passageiros e carga nos Grupos Central e Ocidental, coordenado com o que referimos primeiramente. Obteríamos assim pelo menos uma ligação semanal Continente - qualquer ilha e uma grande frequência de transportes quer de passageiros quer de cargas entre todas as ilhas.
Penso que se trata de um grande investimento inicial, mas que é fundamental (e que fatalmente acabará por ser feito algum dia) e mais necessário do que por exemplo a construção de um Terminal de Cruzeiros em Angra do Heroísmo e exige uma reanálise dos Terminais Portuários de S. Roque e Horta.
Penso também que naturalmente todo este conjunto de serviços que será disponibilizado à carga acabará, fatalmente, por criar a figura do operador logístico – a entidade a quem eu contrato o serviço de vir ao meu armazém em qualquer ilha buscar a minha carga e fazê-la chegar a casa ou ao armazém do meu cliente em qualquer ilha, em tempo útil e mais barato que hoje em dia, sem qualquer preocupação da minha parte com os navios, horários etc., etc. No fundo será uma “actualização” ou “reformulação” dos actuais Transitários, os quais, não tenho a menor dúvida, se adaptarão rapidamente.
Lógica e naturalmente aparecerão as “Plataformas Logísticas” tal como existem em todo o mundo civilizado, sem fazerem mal a ninguém e sem grandes custos. 
Mais uma vez se refere que este processo deveria ser liderado, pelo menos no seu arranque pelo Governo Regional em parceria com todos os operadores, Câmaras do Comércio, Administração Portuária, Empresas de estiva e Sindicatos.
Como fui dizendo ao longo desta série de artigos, o meu trabalho não foi um trabalho científico com cálculos precisos, mas creio que constitui uma possível base de estudo para esta actividade tão fundamental para o nosso necessário e urgente desenvolvimento.    
O tempo das Ilhas quererem que o mesmo navio saia de Lisboa e corra todas as ilhas na mesma viagem acabou, e isso porque existe o Porto da Praia da Vitória com todas as condições. Note-se que, se o Porto de P. Delgada tivesse condições, que não tem porque está saturado e seria caríssimo e criminoso criá-las agora, provavelmente seria esse o único porto a receber o navio Continente - Açores.  

segunda-feira, 1 de abril de 2013

ALGUMAS NOTAS SOBRE O TRANSPORTE MARÍTIMO DOS AÇORES - 9


ALGUMAS NOTAS SOBRE O TRANSPORTE MARÍTIMO DOS AÇORES - 9
(©) Copyright texto: Eng José Ribeiro Pinto
No artigo anterior concluímos que a nossa proposta de modelo parece ser muito mais vantajosa que o actualmente em vigor. Continuemos a analisá-la:
Como referimos, as nossas contas são muito grossas mas têm lógica e conduzem a um modelo bastante atractivo. Por isso achamos que merecem ser alvo de estudo aprofundado pelo Governo Regional.

A solução apresentada implicaria, desde logo, que teria que haver uma alteração da legislação, com uma regulamentação, regulação e fiscalização eficazes, de forma a garantir, não só que o preço final do frete Continente – Açores não aumentaria para nenhuma ilha, como até desceria. 
Implicava naturalmente promover negociações com as Empresas actualmente no mercado, quer de Cabotagem quer de tráfego Local, com vista a não penalizá-las e a tirar partido da sua tão grande experiência neste nosso mercado.
Implicava também promover negociações com as Empresas de Estiva, das quais a Portos dos Açores é sócia e de onde não deve sair, e com os Sindicatos para reduzir a sua intervenção nos navios Ro-Ro.
Implicava ainda promover o diálogo com as Câmaras de Comércio de modo a envolvê-las na solução.
Implicava, sobretudo a existência de um mecanismo legal que fizesse sentir no preço do inter-ilhas a redução obtida no trajecto Continente – Açores. Parece-me que a aplicação de uma Taxa nos portos de P. Delgada e P. Vitória às cargas vindas directamente do Continente que revertesse para o serviço de distribuição inter-ilhas resolveria este problema. Em 1995, aquando da reestruturação portuária, com a saída com indemnizações de estivadores, criou-se uma taxa – a TRP – que resolveu o pagamento do empréstimo então necessário.
Naturalmente esta solução – a única realmente eficaz, pensamos nós – tem que ter um custo inicial e um período de transição de 3 - 4 anos e, acima de tudo, uma forte vontade política que queira beneficiar efectivamente todas as ilhas e não apenas algumas e que não dê cobertura a “capelinhas” que eventualmente estejam instaladas e possam estar a “sugar” o dinheiro dos utentes.
Esta solução apenas se refere ao transporte de mercadorias, mas penso que deve ser complementada/integrada com o transporte de passageiros de forma a que se consiga obter maiores ganhos nos dois sistemas.
5. TRANSPORTE MARÍTIMO DE PASSAGEIROS
Numa região arquipelágica como é a nossa é absolutamente indispensável a existência de um sistema de transportes marítimos de passageiros entre todas as ilhas. Este sistema tem que ter ligações o mais rápidas e mais baratas possível de forma a ser uma alternativa mais económica ao transporte aéreo.
Como sabemos, neste momento apenas existem ligações todo o ano entre Faial, Pico e S. Jorge e entre as Flores e o Corvo. De Maio a início de Outubro a Atlanticoline tem ao serviço dois ferries que fazem a ligação entre todas as ilhas, com excepção do Corvo.
Por iniciativa do Governo Regional estão em construção duas embarcações de passageiros e viaturas para operarem no Grupo Central, “Trata-se de duas unidades com comprimento fora a fora da ordem dos 40 metros, boca entre 10 e 11 metros, velocidade de cerca de 17 nós, capacidade: uma para mais de 300 passageiros e 6 viaturas e outra para mais de 200 passageiros e 12 viaturas, bem como impulsores de proa que lhes garantirão alto poder de manobra” (1).   
Uma destas embarcações fará prioritariamente a ligação Faial – Pico e a outra fará a ligação Faial - Pico – S. Jorge, podendo fazer duas ligações semanais à Terceira se assim se justificar.  
Ficarão a faltar as ligações do Grupo Central aos Grupos Oriental e Ocidental. Tentaremos ver este assunto no próximo artigo 
  
(1) – Lizuarte Machado, in Jornal do Pico, 17 de Agosto de 2012
*Engenheiro Civil

quinta-feira, 28 de março de 2013

ALGUMAS NOTAS SOBRE O TRANSPORTE MARÍTIMO DOS AÇORES - 8


ALGUMAS NOTAS SOBRE O TRANSPORTE MARÍTIMO DOS AÇORES - 8
Copyright texto: Eng. José Ribeiro Pinto

No artigo anterior avançámos com uma proposta de modelo que nos parece muito mais lógica que o actualmente em vigor. Continuemos a analisá-la:
Com este modelo temos a certeza que o preço Continente – P. Delgada e Continente – P. Vitória seria muito mais baixo. 
De facto, se temos menos navios que, sendo embora muito maiores que os actuais, são proporcionalmente mais baratos e se estes navios não têm que se deslocar a outras ilhas, pois só fazem um transporte directo entre o Continente e um porto da região (PDL ou PV) o preço tem que ser muito mais baixo que os actuais 1250 – 500 = 750 € (1250€ preço tabela Continente – Açores actual; 500€ preço do slot), pois já sabemos que este valor é lucrativo no actual sistema em que há grandes desperdícios de tempo e de espaço em todos os navios.  
Imaginemos que esta poupança seria da ordem dos 25%, ou seja que um contentor Lisboa/P. Delgada ou Lisboa/P Vitória custaria 562.5 €, poupando-se portanto 187.5 € em cada contentor de 20 pés. Multiplicando pelo número total de contentores de 2010 (118.276 teu’s) obtínhamos 22,18 milhões de euros. 
É claro que esta é uma conta muito simples, quando há muitas variantes em jogo, mas lá que é lógica, é! 
Há estudos que apontam para uma poupança anual que poderá ser da ordem dos 20 milhões de euros. 
E, como já referimos anteriormente, este mercado poderia ser completamente liberalizado. 
Vejamos agora a distribuição inter-ilhas. Neste caso é natural que o seu custo seja mais caro que o actual uma vez que o volume de negócios é mais pequeno e necessitamos de 3 navios.
Como sabemos actualmente a Atlanticoline tem aberto um concurso público internacional para o afretamento por 2 anos de dois ferries com um preço base de 16,4 milhões de euros, ou seja em média 4.1m€ por navio por ano. Sabemos que, grosso modo, a média anual gasta nos últimos 14 anos foi desta ordem de grandeza. 
Sabemos, também que são navios para servirem apenas 5 meses um deles e 4 meses o outro, com capacidade de transportar centenas de passageiros cada. Se se tratar de navios mais simples, que não transportam passageiros, que são afretados para servir todo o ano em contratos plurianuais ou que são mesmo comprados, podemos imaginar que poderão custar em média cerca de 50% mais que aquele valor, ou seja, 6.5 m€ por ano. Como necessitamos de 3 navios, teríamos um custo anual da ordem dos 19.5 m€     
Considerando que o custo actual é da ordem de 20.500 teu’s x 500 € = 10,25 milhões de euros (admitindo como bom valor médio o valor praticado para o slot), teríamos então para este ramo do transporte um sobrecusto de 19,5 – 10,25, ou seja 9.25 milhões de euros.
É claro, igualmente como acima se disse, que esta é uma conta muito simples, quando há muitas variantes em jogo, mas tem uma certa lógica.
Há estudos que apontam para um aumento do custo anual da ordem dos 7 milhões de euros. 
Concluímos, assim, que, com o nosso novo modelo, poderíamos ter uma poupança global de 22,18 - 9.25 = 12.93 milhões de euros!
Ou seja, verificamos uma descida global no preço Continente – qualquer ilha da Região da ordem dos 9 a 10%, com pelo menos duas ligações semanais entre todas as ilhas com excepção das Flores que passaria a ter uma ligação semanal. O sistema permite pois que garantidamente qualquer carga demora menos de uma semana entre quaisquer ilhas, a preço mais baixo. 
O transporte inter-ilhas seria fortemente implementado com ganhos enormes para o mercado interno – SÓ ASSIM SE CONSEGUE DE FORMA RELATIVAMENTE POUCO CARA E EFICAZ PROMOVER TROCAS COMERCIAIS FREQUENTES E BARATAS ENTRE QUAISQUER ILHAS DA REGIÃO - permitindo baixar as importações do Continente.    
-continua-
*Engenheiro Civil

segunda-feira, 25 de março de 2013

ALGUMAS NOTAS SOBRE O TRANSPORTE MARÍTIMO DOS AÇORES - 7


ALGUMAS NOTAS SOBRE O TRANSPORTE MARÍTIMO DOS AÇORES - 7
(©) Copyright texto: Eng. José Ribeiro Pinto, Terceira

Vimos no artigo anterior que a situação em vigor no transporte marítimo de mercadorias é altamente penalizante para os utentes e para os produtores, pois conduz a custos com o transporte marítimo muito elevados e dificulta altamente o mercado interno.
4. MODELO MAIS LÓGICO
Conclui-se portanto que o modelo mais lógico será o seguinte:
 - Se pouco mais de metade da carga se destina a S. Miguel e S. Maria – cerca de 75.000 teu’s por ano – deveria haver um navio de maior dimensão (1.500 teu’s) que os actuais e de maior velocidade, sem meios próprios de descarga, que apenas faria o percurso Continente/P. Delgada/Continente, transportando apenas os contentores destinados a S. Miguel e S. Maria e vice-versa.

 - Se pouco menos de metade da carga se destina aos restantes portos, sendo 22% para a Praia da Vitória – cerca de 50.000 teu’s por ano – deveria haver um navio de maior dimensão que os actuais e maior velocidade sem meios próprios de descarga apenas faz o percurso Continente/P. Vitória/Continente, transportando apenas os contentores destinados às restantes ilhas. Eventualmente este navio deveria ser semelhante em capacidade de carga ao atrás referido, para eventual necessidade de ter que o substituir.
Estes dois navios fariam apenas os trajectos referidos todas as semanas.
Note-se, no entanto, que devido à sua dimensão estes dois trajectos podem ser liberalizados, dando por isso possibilidade de aparecerem mais operadores em concorrência total. 
- Equipar os portos de P. Delgada e Praia da Vitória com gruas portuárias com capacidade para descarregar estes navios. Neste momento cada um deles já tem uma, pelo que seria necessário adquirir mais uma para cada porto (cerca de 5 milhões de euros). Seria, no entanto, de considerar a compra mais uma para cada um destes portos para tornar mais rápida não só esta operação, como a de carga/descarga dos navios que fariam a distribuição da cargas inter-ilhas.
Para esta distribuição parece-me que seria necessário:
- Três navios rápidos que circulariam exclusivamente entre as ilhas. Um deles fazendo P. Delgada/S. Maria/P. Vitória e volta. Os outros dois fazendo P. Vitória/restantes ilhas e volta.
O primeiro destes navios podia fazer o seu trajecto duas vezes por semana. Um dos outros dois faria também duas vezes por semana P. Vitória/Velas/ S.Roque/Horta e o outro P.Vitória/Graciosa/Horta/Flores uma vez por semana. Naturalmente estes são itinerários meramente indicativos que teriam que ser profundamente estudados.
Uma vez que praticamente todos os portos estarão muito brevemente dotados de rampas para permitir descargas rolantes, seria altamente aconselhável que estes navios fossem do tipo Ro-Ro (navios com rampa de popa), o que permitiria não só, uma muito maior rapidez de descarga/carga, como o transporte em contentor ou em outros veículos o que seria uma mais valia muito importante.
Neste caso, naturalmente, os portos ou os operadores (nunca os clientes) deveriam estar equipados de cabeças de atrelado e de atrelados em número suficiente para satisfazer a procura, especialmente no transporte de contentores. Note-se que estas cabeças de atrelado nunca sairiam dos seus portos e os atrelados apenas circulariam nos navios entre portos, sem nunca saírem dos portos. Ou seja a cabeça de atrelado leva-o para o navio ou vai buscá-lo ao navio e no porto as outra máquinas descarregam/carregam a carga do/para o atrelado.
Note-se que, como já vimos antes, hoje os três armadores já esboçam um pouco este modelo – a Transinsular já só vai a P. Delgada, P. Vitória e Flores, deixando, principalmente em P. Delgada, a carga para as outras ilhas do Grupo Central e para S. Maria, a qual é distribuída pelos navios da Mutualista e da Boxlines, os quais também vêm do Continente. Têm 7 navios afectos a este tráfego!     
Com este modelo que propomos temos a certeza que o tempo de transporte Continente-Açores não só não aumentava como até diminuiria e em muitos casos haveria aumento de frequências.
No próximo artigo vamos analisar outras consequências.

quinta-feira, 21 de março de 2013

ALGUMAS NOTAS SOBRE O TRANSPORTE MARÍTIMO DOS AÇORES - 6


ALGUMAS NOTAS SOBRE O TRANSPORTE MARÍTIMO DOS AÇORES - 6
(©) Copyright texto: Eng. José Ribeiro Pinto, Terceira
(©) Copyright foto: Mário Silva, Santa Maria.
Acabámos o artigo anterior analisando qual era o movimento de navios entre o Continente e a Região. Vamos ver muito rapidamente qual é o Tráfego Local e depois passaremos às primeiras conclusões.

2.2. TRÁFEGO LOCAL

O Tráfego Local, por definição da Autoridade Marítima, está dividido pelos três Grupos da Região
Trata-se de pequenas empresas armadoras com pequenos navios que fazem ligações entre as ilhas do Grupo a que pertencem, transportando carga geral fraccionada, eventualmente paletizada ou em pequenas caixas, que prestam um importante, mas pequeno, serviço nas trocas comerciais entre as ilhas mais próximas. Assim temos:
- A empresa “Transporte Marítimo Parece Machado” opera entre S. Miguel e Santa Maria;
- A empresa “Transportes Marítimos Graciosenses” opera entre todas as ilhas do Grupo Central a partir do porto da Praia da Vitória; 
- A Empresa “Barcos do Pico de Amaral, Luciano e Faria” opera entre o Pico, Faial e S. Jorge;
- A empresa “Marocidental” opera entre as Flores e o Corvo.
(©) Copyright foto: Ricardo Martins, Lisboa.
Note-se que apesar de se tratar de pequenas empresas a transportarem pouca carga, fazem-no quase monopolisticamente e por isso a preços relativamente elevados.

3. CONCLUSÕES IMEDIATAS
Do que atrás ficou dito conclui-se claramente que a situação em vigor é altamente penalizante para os utentes e para os produtores, pois conduz a custos com o transporte marítimo muito elevados e dificulta altamente o mercado interno.
E isto porque:
1 - Ao obrigar praticamente que cada armador tenha que “correr” todas as ilhas, faz com que ele tenha que ter pelo menos dois navios porque não consegue fazer o ciclo Lisboa – várias ilhas dos Açores – Lisboa na mesma semana. A Transinsular tem 3 navios afectos a este tráfego.
Estes navios nunca andam cheios, pelo que o negócio para ser rentável tem que ter preços mais caros. Veja-se que a Transinsular deixou mesmo de ir aos portos da Horta, Velas e S. Roque e já não ia ao da Graciosa.
Veja-se ainda a quantidade de contentores que são baldeados de um armador para outro de forma a tornar o negócio mais rentável para todos. 

2 - Ao obrigar praticamente que cada armador tenha que “correr” todas as ilhas com os mesmos navios, faz com que tenha que ter os seus navios equipados com meios próprios de descarga (grua de bordo) o que torna os navios mais caros – cada grua de bordo custa cerca de 1,5 a 2 milhões de euros. 
3 – Os três armadores que transportam contentores, geralmente não transportam carga geral fraccionada, excepto se ela for acondicionada em contentores ou se se tratar de grandes peças ou máquinas, pelo que as pessoas/empresas que necessitem de transportar pequenas quantidades de carga na ligação Continente/Açores têm que esperar que o seu transitário consiga ter carga suficiente para encher um contentor (maior tempo de espera) ou encomendar quantidades de carga muito maiores (caso das empresas – maiores stocks, maiores encargos). 
Na ligação entre ilhas a situação às vezes ainda é pior, pois para enviar uma pequena carga de um grupo para outro, por exemplo do Pico para S. Miguel ou para as Flores, tem que arranjar um contentor. Se não tiver carga suficiente tem que esperar, como se disse acima.
Dentro do mesmo grupo de ilhas a empresa de tráfego local muitas vezes não tem capacidade para transportar a carga em tempo útil e a bom preço.                                                                                   
Esta situação dificulta claramente o mercado interno.
(©) Copyright foto: Miguel Nóia, Faial.
No próximo artigo vamos ver qual nos parece ser o modelo mais lógico.
PS:Embora exista actualmente algumas alterações, decidi publicar o artigo original tal como foi publicado no DI.

segunda-feira, 18 de março de 2013

ALGUMAS NOTAS SOBRE O TRANSPORTE MARÍTIMO DOS AÇORES - 5


ALGUMAS NOTAS SOBRE O TRANSPORTE MARÍTIMO DOS AÇORES - 5
José Ribeiro Pinto

Acabámos o artigo anterior analisando qual era o movimento de navios entre o Continente e a Região até muito recentemente. Nos últimos tempos verificaram-se algumas alterações que passamos desde já a ver:
As actuais ESCALAS NAVIOS são geralmente as seguintes:

TRANSINSULAR
 Monte da Guia – Lisboa/P. Delgada/P. Vitória/P. Delgada/ Lisboa
 Insular – Lisboa/P. Delgada/P. Vitória/P. Delgada/ Lisboa
 Sete Cidades – Leixões/P. Delgada/Flores*/Pico/Velas/P. Delgada/ Leixões
 Sete Cidades – Leixões/P. Delgada/Caniçal/ Leixões
      *- Leva a carga da Mutualista e da Boxlines

MUTUALISTA
Corvo – Lisboa/Leixões/P.Delgada/ P.Vitória/Horta*/Velas**/P.Delgada/Lisboa
      * - Leva a carga da Transinsular                      
     **- Leva a carga da Transinsular e da Boxlines
Furnas – Lisboa/P. Delgada/P. Vitória/Pico*/Santa Maria**/P. Delgada/Lisboa
      * - Leva a carga da Transinsular
      **- Leva a carga da Transinsular e da Boxlines

BOXLINES
Ponta do Sol – Lisboa/P.Delgada/P.Vitória/Graciosa*/Pico/P.Delgada/LIsboa
      * - Leva a carga da Transinsular e da Mutualista
Madeirense 3 – Lisboa/Leixões/P. Delgada/P. Vitória/Horta/P. Delgada/Lisboa

Cada navio faz normalmente 2 viagens por mês, com excepção do Sete Cidades que faz as viagens semanalmente. Os navios que vão à Horta (Corvo e Madeirense 3) alternam, semana um, semana outro.
Deste quadro podemos concluir que, em termos médios, os Portos de S. Maria, Graciosa e Flores continuam a receber 1 navio de contentores de quinze em quinze dias; o das Velas recebe um navio por semana, o porto da Horta passou a receber apenas um navio por semana, o de S. Roque recebe 2 navios de contentores numa semana e 1 na semana seguinte; o porto da P. Vitória recebe 3 navios por semana do continente e o porta-contentores americano de 3 em 3 semanas aproximadamente; finalmente o porto de P. Delgada recebe em média 7.5 navios de contentores por semana.
Verificamos que para os portos de Ponta Delgada, Praia da Vitória, S. Maria, Graciosa e Flores a situação mantém-se como em 2009.
O Porto da Horta passou a receber um único navio por semana alternadamente da Mutualista e da Boxlines. A Transinsular deixou de ir a este porto levar contentores. No caso do Pico dois dos armadores vão numa semana e o outro vai na semana seguinte.
As conclusões que tirámos no último artigo mantêm-se. É curioso verificar que os dois principais (e maiores) navios da Transinsular apenas vêm a Ponta Delgada e à Praia da Vitória, deixando portanto a carga para as outras ilhas especialmente no primeiro daqueles portos. Os outros dois armadores encarregam-se da sua distribuição para o Pico, S. Jorge, Faial, Graciosa e S. Maria.

Constata-se, por outro lado, que os 3 armadores praticam um frete Continente – Açores da ordem dos 1250 € (valor de tabela – sabe-se que praticam descontos comerciais para grandes clientes ou para quantidades especiais) por contentor de 20” e o dobro para um de 40”.
Constata-se, igualmente, que cobram uns aos outros cerca 500 € pelo transporte de um contentor de um porto (Ponta Delgada, por exemplo) para qualquer outro porto da Região (slot) e vice-versa.
Pode-se concluir que um armador que não queira ir à Graciosa, por exemplo, (só lá vai a Boxlines) paga à Boxlines 500 € para que esta leve o seu contentor de P. Delgada à Graciosa, e certamente ainda ganha lucro no frete Continente – Graciosa. O mesmo acontece com as outras ilhas.     
No próximo artigo podemos a começar a tirar conclusões que nos parecem imediatas.
(©) Copyright texto: José Ribeiro Pinto, Engenheiro Civil
(©) Copyright fotos: José Modesto, Leixões; Mário Silva, Santa Maria