Tanto o transporte marítimo como os portos devem ser pensados, não como entidades separadas, mas como componentes
interligados, como duas peças de uma engrenagem" Koji Sekimizu , Secretário-Geral da IMO

domingo, 26 de abril de 2015

Açores têm condições únicas para o desenvolvimento de novas tecnologias marítimas, afirma Filipe Porteiro

O Diretor Regional dos Assuntos do Mar afirmou, em Bruxelas, que os Açores têm os "atributos naturais e científicos” necessários para serem uma plataforma de “implementação de projetos de teste e demonstração de tecnologias marítimas, visando os domínios do mar aberto e de profundidade”.

Filipe Porteiro, que falava numa reunião promovida pela Conferência das Regiões Periféricas Marítimas da Europa sobre 'Perspetivas para a Construção Naval, Energias Renováveis Marinhas, Petróleo e Gás', salientou que os Açores têm acolhido projetos que permitem que “equipamentos de tecnologia avançada sejam testados com sucesso”.

Nesse sentido, apontou exemplos como o MOMAR, um observatório que estuda os ecossistemas profundos do campo hidrotermal Lucky Strike, e projetos-piloto de teste e de demonstração de toda a tecnologia para mineração dos maciços polimetálicos que são conhecidos na Região.

“Não é por acaso que os Açores e os seus cenários subaquáticos são escolhidos por vários projetos europeus para testar veículos submarinos autónomos”, frisou Filipe Porteiro, acrescentando que a criação de “uma plataforma marinha tecnológica nos Açores vai permitir o desenvolvimento de novas indústrias marítimas na Europa”.

O Diretor Regional dos Assuntos do Mar destacou ainda a Estratégia de Investigação e Inovação para a Especialização Inteligente (RIS3) para os Açores, que selecionou o Mar como um dos eixos prioritários com o objetivo de “reforçar o papel das ilhas enquanto plataforma internacional para promover o conhecimento em ciências e tecnologias oceânicas, contribuindo para o progresso económico da Região e para a implementação da Estratégia para o Atlântico”.

Na sua intervenção, Filipe Porteiro defendeu que “a Região pode desempenhar um papel central na implementação de uma rede atlântica regional para testar a viabilidade tecnológica e económica de uma frota marítima propulsionada a gás”.

O Diretor Regional dos Assuntos do Mar sustentou que “a adoção comercial desta tecnologia de baixo carbono requer projetos de demonstração independentes”, assegurando que “os Açores dispõem de portos oceânicos que podem acomodar infraestruturas que servirão de base operacional para a frota de médio curso do Atlântico Nordeste, inclusive para navios de pesca de alto mar”.

Durante dois dias decorreram, em Bruxelas, várias reuniões promovidas pela Conferência das Regiões Periféricas Marítimas da Europa, presidida atualmente pelo Presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro, com o objetivo de sensibilizar as instituições europeias para a necessidade de se criarem condições para que as indústrias marítima e de energias renováveis marinhas da Europa possam crescer e afirmar as suas vantagens competitivas num mercado globalizado, onde a China, a Coreia do Sul e o Japão lideram.

As regiões do Arco Atlântico e de outras comissões geográficas da Conferência das Regiões Periféricas Marítimas da Europa concertaram as suas posições numa sessão onde estiveram presentes os representantes das direções gerais dos Assuntos Marítimos e das Pescas (DG MARE), do Mercado Interno, Indústria, Empreendedorismo e PME (DG GROW) e da Energia (DG ENER) da Comissão Europeia.
 

GaCS/GM

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