Tanto o transporte marítimo como os portos devem ser pensados, não como entidades separadas, mas como componentes
interligados, como duas peças de uma engrenagem" Koji Sekimizu , Secretário-Geral da IMO

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Transportes marítimos: tema sempre actual

© Copyright texto: Eng. José Ribeiro Pinto, Terceira.
Todos nós, Açorianos, temos, ou devíamos ter, a maior admiração e respeito pelo Senhor Gustavo Moura, decano dos nossos jornalistas e, felizmente, uma mente sempre atenta e interventiva sobre os importantes assuntos que se nos colocam.
Dito isto, venho aqui fazer algumas considerações sobre o artigo que o Senhor Gustavo Moura publicou no Diário Insular, sob o título que eu aqui também estou usando, no passado dia 16. 
Diz o nosso amigo que tem lido com interesse os artigos que eu tenho publicado na imprensa regional sobre os transportes marítimos inter-ilhas. Diz, então, que eu defendo um sistema de transportes que sirva de incentivo a um mais intenso comércio interno com a exportação de produtos de cada ilha, o que é verdade. Mas estranha ele que, nos meus artigos e sugestões de alterações, "não tenha eu tido uma única palavra para o serviço que as empresas privadas "Transportes Marítimos Graciosenses" e "Empresa de Lanchas do Pico" estão há bastante tempo a oferecer desde a Horta até à Terceira, num serviço de porta a porta, que, na sua opinião (de Gustavo Moura), pode muito bem servir esse desiderato, um aumento de trocas comerciais entre as ilhas", até porque: "Já teve a oportunidade de, por mais de uma vez, observar o serviço dos navios da "TMG" no pequeno porto da Calheta de São Jorge, podendo constatar a sua eficácia e rapidez e, no que lhe foi possível averiguar, a um preço conveniente". Levanta ainda a suspeita de que eu lá terei as minhas razões para não falar do serviço dessas duas empresas, que ele, "embora leigo na matéria, julga que têm revelado dinamismo e capacidade de iniciativa e oferecido um serviço de qualidade e muita importância, que podemos considerar fiável ... pelo que deveriam ser chamadas a debater o problema, que conhecem como ninguém, da compra de dois ferries pelo Governo Regional".
Caro Senhor Gustavo Moura: Em primeiro lugar tenho que lhe dizer que, em quase todos os artigos que nos últimos dois anos e meio tenho publicado sobre o assunto, referi que o Governo Regional deve envolver todos os actuais operadores: armadores da Cabotagem (Mutualista, Transinsular e Boxlines), armadores do Tráfego Local (Pareces, TMGs, Lanchas do Pico e Mareocidental), Câmaras do Comércio, Transitários, Portos dos Açores, Capitanias, Empresas de Estiva Sindicatos, etc). Sempre o tenho dito, pelo que não é verdadeira a sua afirmação de que "não tenha eu tido uma única palavra para o serviço que as empresas privadas "Transportes Marítimos Graciosenses" e "Empresa de Lanchas do Pico estão há bastante tempo a oferecer...". Ainda no meu último artigo "Os dois ferries e o nosso dinheiro", publicado há duas ou três semanas, dizia eu: "...e o Governo devia também falar com os armadores actualmente instalados no mercado, quer os grandes, quer os do tráfego local, de forma a ajudar a "criar" uma(s) empresa(s) que fizessem a exploração dos vários navios (Continente - Açores e Inter-ilhas)".
De facto, acho que o Governo o deve fazer porque, a haver qualquer alteração no sistema de transportes marítimos, deve envolver e contar com a experiência de todos esses parceiros de forma a ganhar esses contributos e a não os prejudicar indevidamente. Naturalmente, caberá a cada um deles aceitar participar ou não na nova solução. Portanto não só não tenho razões para não falar nesse serviço, como entendo que ele tem sido importante e, por isso, estas empresas devem participar na solução.
Mas, por outro lugar, o Senhor Gustavo Moura diz que estas empresas "estão há bastante tempo a oferecer desde a Horta até à Terceira um serviço de porta a porta que, na sua opinião pode muito bem servir esse desiderato, um aumento de trocas comerciais entre as ilhas".
Caro Senhor: Tanto quanto sei, pelo menos os TMG não fazem nenhum serviço "porta a porta",mas sim cais a cais. Não é muito importante para aquilo que hoje aqui me traz, mas fica o esclarecimento. O que realmente me admira é que venha dizer que o serviço feito por estas empresas pode muito bem servir esse desiderato, um aumento de trocas comerciais entre as ilhas! O Senhor acredita mesmo nisso? Então, porque é que tal aumento não só não se tem vindo a verificar, como até tem diminuído? E, se acredita, porque é que não diz ao Governo que não precisa de comprar ferries? 
Ou será que, com este seu artigo, está precisamente a querer dizer que temos um serviço maravilhoso e barato prestado por estas duas empresas e que não precisamos de nenhuma alternativa (refere aliás a discordância - a palavra é sua - do deputado socialista Comandante Lizuarte Machado quanto à compra dos ferries)?
É que eu proponho que os dois ferries sejam dimensionados de maneira a que possam transportar cargas contribuindo para o desenvolvimento do transporte inter-ilhas e, consequentemente, do desenvolvimento sustentado do comércio interno.

2 comentários:

Rui Carvalho disse...

Caro MMCB

Um direito de resposta a um ataque injustificado.
Muito bem o Eng.º Ribeiro Pinto, que sempre defendeu tudo aquilo que agora o acusam de não defender.
Quem o conhece como nós sabe da injustiça de tais palavras.

Um abraço a ambos

Rui Carvalho

Manuel Bettencourt disse...

Caro Rui,
Faço minhas as tuas palavras!

Abraço
Manuel