Tanto o transporte marítimo como os portos devem ser pensados, não como entidades separadas, mas como componentes
interligados, como duas peças de uma engrenagem" Koji Sekimizu , Secretário-Geral da IMO

domingo, 15 de junho de 2014

O melhor e mais barato estudo sobre o serviço ferry, é observar , testar e reflectir sobre os resultados.




Escreveu o poeta que "o sonho comanda a vida", e digo eu que a construção das rampa Ro-Ro nos portos dos Açores permitem-me sonhar com um futuro sistema de transportes marítimos inter-ilhas diferente do actualmente existe, ou seja, assente nos três seguintes pilares, comodidade, rapidez e eficiência económica.
A cada dia que passa mais convicto fico que a  utilização dos navios ferry´s e das rampas Ro-Ro dentro dos parâmetros que habitualmente vemos em outros arquipélagos, pode e deve ser um dos pilares sobre o qual assentará uma nova política de desenvolvimento regional, transformando os Açores não em partes mas num todo.
Durante a sua operação de 2013 os navios ferry´s, através da utilização das novas rampas, trouxeram à evidência o que concretamente poderão oferecer à economia insular, e esses pequenos embarques/desembarques são um exemplo do que acontece por esse mundo fora, o que reforça que neste aspecto o nosso atraso é colossal, infelizmente.
Já no decorrer desta ano, o Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores juntamente com o Comando Operacional dos Açores, realizaram de 04 a 07 de Junho o exercício AÇOR14, que consistia numa acção de resposta a uma eventual catástrofe natural no nosso arquipélago. Embora seja algo que se espera que nunca aconteça, este é um exemplo importantíssimo do serviço diferenciado que os navios ferry podem oferecer ás populações que os outros meios de transporte não estão capacitados.
Curioso é que com a construção das rampas Ro-Ro e suas positivas valências tenham surgido também algumas vozes contra o modelo de navios ferry, afirmando que é necessário tempo para pensar. Tempo para pensar?! Já foi muito desse tempo gasto inutilmente em debates estéreis. Julgo que já basta de adiar o futuro, pondo o bem de alguns poucos em detrimento do todo regional.
Engraçado é também ouvir falar em números de passageiros e taxas de ocupação, deixando propositadamente de fora das contas as viaturas e cargas gerais transportadas, e digo engraçado porque os passageiros do meu ponto de vista serão apenas o que poderá complementar o modelo de ferry por mim e muitos outros sonhado, pois todos nós sabemos que nunca serão as tarifas de passageiros a  viabilizar e financiar o serviço público ferry Ro-Ro nos Açores.
É pois necessário deixar a falsa questão dos passageiros e concentrar-mo-nos na carga rodada, pois é aí que está a razão de todo este nervosismo. Será legitimo alguns operadores julgarem ser "donos" por direito próprio do transporte das cargas? Acontece que as cargas pertencem aos carregadores e recebedores açorianos, e a estes deverá ser sempre oferecido um sistema alternativo mais barato, mais frequente e mais eficaz, principalmente para incentivar o mercado interno. 
"Felizmente" toda esta problemática ficou "bem resolvida" aquando a construção do malogrado"Atlântica", pois aquele "cardeck" resolveu a questão com uma brutal limitação no que ao transporte de carga rodada diz respeito, seis autocarros e mais nada, só lugar para vulgares "pó-pós". Só me questiono a razão da instalação de uma rampa de popa, pasme-se de 45 toneladas de capacidade de carga. Foi de facto genial, os parabéns aos arquitectos, no entanto a táctica agora parece ser outra.
Por fim lembrar que quando os ferry's transportavam apenas "Smart´s" e bicicletas as criticas não eram tão radicais, e embora possam alegar a necessidade de estudos, e provavelmente terão razão, proponho que o melhor e mais barato estudo será observar, testar e reflectir sobre os resultados, imaginando o serviço público ferry Ro-Ro em toda na sua plenitude e capacidade.




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