Tanto o transporte marítimo como os portos devem ser pensados, não como entidades separadas, mas como componentes
interligados, como duas peças de uma engrenagem" Koji Sekimizu , Secretário-Geral da IMO

quinta-feira, 4 de abril de 2013

ALGUMAS NOTAS SOBRE O TRANSPORTE MARÍTIMO DOS AÇORES - 10


ALGUMAS NOTAS SOBRE O TRANSPORTE MARÍTIMO DOS AÇORES - 10
Copyright texto: Eng. José Ribeiro Pinto

No artigo anterior começámos a ver o transporte marítimo de passageiros, sabendo que estão em construção dois navios para operar todo o ano (esperamos) no Grupo Central. Como ligar este Grupo aos outros dois?
Como sabemos a Região encomendou, há uns anos, aos estaleiros de Viana do Castelo a construção de dois navios ferry. Por razões que aqui não interessa analisar o primeiro navio construído – o “Atlântida” – não foi aceite e o contrato foi rescindido pela Região.
Ora, parece-me que seria de repensar esta questão. Concretamente, parece-me que um ferry para passageiros e carga, tipo ro-ro poderia ser posto todo o ano ao serviço, ligando P. Delgada a Santa Maria e à P. Vitória. Fazia estas ligações pelo menos duas vezes por semana e faria o papel do navio que tínhamos sugerido para estes trajectos na primeira parte deste trabalho e também o papel que hoje é desempenhado no Verão normalmente pelo ferry “Hellenic Wind”
Fica por resolver a questão do transporte de passageiros e viaturas nos Grupos Central e Ocidental no Verão, período em que há uma grande afluência dos mesmos e o transporte de passageiros e viaturas para e das Flores no Inverno.
Confesso que não estou absolutamente seguro, mas parece-me que uma das hipóteses mais aconselháveis seria ter outro ferry com capacidade para servir todo o ano, fazendo o papel de um dos dois navios que tínhamos previsto fazer a distribuição de cargas nestes Grupos na primeira parte deste trabalho.
Pensando então globalmente teríamos: 
2 navios de grande dimensão, sem meios próprios de descarga, que fariam exclusivamente Continente – P. Delgada – Continente e Continente – P. Vitória – Continente.
3 navios, de preferência ro-ro (portanto com rampas de popa), sendo dois deles mistos de passageiros e carga (de preferência carga rolante) e o outro apenas de carga rolante. Dos dois primeiros, um faria apenas o serviço de passageiros e distribuição de carga entre P. Delgada, Santa Maria e P. Vitória. Os outros dois ficariam afectos à distribuição de passageiros e carga nos Grupos Central e Ocidental, coordenado com o que referimos primeiramente. Obteríamos assim pelo menos uma ligação semanal Continente - qualquer ilha e uma grande frequência de transportes quer de passageiros quer de cargas entre todas as ilhas.
Penso que se trata de um grande investimento inicial, mas que é fundamental (e que fatalmente acabará por ser feito algum dia) e mais necessário do que por exemplo a construção de um Terminal de Cruzeiros em Angra do Heroísmo e exige uma reanálise dos Terminais Portuários de S. Roque e Horta.
Penso também que naturalmente todo este conjunto de serviços que será disponibilizado à carga acabará, fatalmente, por criar a figura do operador logístico – a entidade a quem eu contrato o serviço de vir ao meu armazém em qualquer ilha buscar a minha carga e fazê-la chegar a casa ou ao armazém do meu cliente em qualquer ilha, em tempo útil e mais barato que hoje em dia, sem qualquer preocupação da minha parte com os navios, horários etc., etc. No fundo será uma “actualização” ou “reformulação” dos actuais Transitários, os quais, não tenho a menor dúvida, se adaptarão rapidamente.
Lógica e naturalmente aparecerão as “Plataformas Logísticas” tal como existem em todo o mundo civilizado, sem fazerem mal a ninguém e sem grandes custos. 
Mais uma vez se refere que este processo deveria ser liderado, pelo menos no seu arranque pelo Governo Regional em parceria com todos os operadores, Câmaras do Comércio, Administração Portuária, Empresas de estiva e Sindicatos.
Como fui dizendo ao longo desta série de artigos, o meu trabalho não foi um trabalho científico com cálculos precisos, mas creio que constitui uma possível base de estudo para esta actividade tão fundamental para o nosso necessário e urgente desenvolvimento.    
O tempo das Ilhas quererem que o mesmo navio saia de Lisboa e corra todas as ilhas na mesma viagem acabou, e isso porque existe o Porto da Praia da Vitória com todas as condições. Note-se que, se o Porto de P. Delgada tivesse condições, que não tem porque está saturado e seria caríssimo e criminoso criá-las agora, provavelmente seria esse o único porto a receber o navio Continente - Açores.  

6 comentários:

Victor Insular disse...

E que navio faria a linha Açores-Madeira? O Portacontentores de 1500 TEUs de PDL faria uma pernada a sul de 2 em 2 semanas no regresso ao Continente?

Manuel disse...

Amigo Vitor, como sabe este artigo é do Eng Ribeiro Pinto e não meu.
penso que conhece a minha opinião sobre este assunto.
Como imagina não sei responder, e faço mais uma pergunta se ficamos com 2 navios (Açores-Continente)e temos 3 armadores, quem sai?
A liberalização será péssimo para não dizer outra coisa para os armadores nacionais.
Quando se fala em custos, existe custos de transporte muito , muito muito mais caro que os contentores, mas é melhor estar calado!
Um dia por mail completo o meu comentário.
Um Abraço
Manuel

Victor Insular disse...

Manuel, em relação à questão dos 2 portacontentores e 3 armadores, só tou a ver uma hipótese. A fusão/aquisição, que foi o que aconteceu com a (P&O + Nedlloyd) + Maersk + Sealand) = Maersk Line.

Manuel disse...

Amigo Vitor, sim tem razão, mas será que os nossos armadores estão para aí virados?
Mas continuo a fazer a mesma pergunta a quem quer à força e artificialmente 2 portas de entrada será o serviço dos porta-contentores o mais caro??? como diria o boneco da contra informação "olhe que não olhe que não"
Um Abraço
Manuel

Rui Carvalho disse...

Meus Caros

Então e a concorrência ?
Onde fica ?
Já sabemos que não existe, mas pelo menos que pareça existir.

Abraço

ErrE

Manuel disse...

Amigo ErrE, volto a fazer a pergunta: Será o serviço de porta-contentores o mais caro???
Olhe que não e tu sabes que tenho razão! O que existe é uma tentativa de conquistar "poder" de forma artificial, usando os navios e os armadores como ferramentas para esse fim. O sistema actual não será perfeito, mas nada o é! Um dos argumentos é o preço que se alega viria a baixar, mas não, não vai baixar pelo contrário é uma armadilha.

Quanto à concorrência, penso que existe! muito agressiva? talvez não!

Abraço,
Manuel