Tanto o transporte marítimo como os portos devem ser pensados, não como entidades separadas, mas como componentes
interligados, como duas peças de uma engrenagem" Koji Sekimizu , Secretário-Geral da IMO

domingo, 2 de outubro de 2011

Rescaldo da operação ferry 2011, perspectivando a operação de 2012.

Os dois ferrys da Atlânticoline atracados no porto da Horta, Faial/(©) Copyright foto: Miguel Nóia, Faial. 
 Hoje, com o fim  da operação Açores Ferry 2011(como gosto de lhe chamar), estou convencido que a esta decorreu dentro da normalidade, tendo contribuindo para isso o facto de os navios e suas tripulações se encontrarem profundamente familiarizados com as necessidades da operação, a especificidade dos nossos portos e seus procedimentos.
Os navios cumpriram escrupulosamente as suas escalas, mesmo debaixo de condições meteorológicas menos favoráveis, para o qual contribuiu a aguçada perícia dos seus comandantes e com certamente o voluntarioso empenho de todo o Staff da Atlânticoline, SA.
Infelizmente, muitos só noticiam e entrevistam se um dos Ferry’s cancelar uma escala, mas no entanto quando se adiciona uma escala ou se aumenta o tempo de permanência em porto para permitir beneficiar os habitantes e a economia da ilha, tudo isso passa despercebido, enfim, serão certamente pessoas com outros interesses, sempre com facilidade em apontar defeitos de alguns mas protegendo os de outros.
Não me canso de referir aqui (mesmo que me possam chamar demente e discordar) que sou da opinião que o futuro socioeconómico dos Açores teria muito a ganhar com um moderno serviço ferry, permanente e ajustado às necessidades de todas as forças económicas da região e adequado às nossas capacidades.
Contribuir-se-ia dessa forma para a construção de um verdadeiro mercado interno, permitindo que este se assuma como uma importante “arma” no combate à desertificação que assola algumas das ilhas e que urge combater não com palavras mas com actos.
Contudo, lembro que não nos deveremos esquecer que os ferry’s são apenas uma peça, e que para ganhar essa “guerra” e pôr toda a engrenagem a funcionar serão necessárias muitas mais, tendo em conta que não passa apenas por uma melhor, fácil e mais barata circulação inter-ilhas, passa também pelo que cada uma ilha, com engenho, poderá e deverá fazer para alavancar e saber optimizar essa mais-valia.
O que aqui afirmo não se trata de doutrina ou invenção, trata-se de um mero “copy-paste” do que acontece nos nossos arquipélagos vizinhos Madeira, Canárias e mesmo Cabo Verde, onde se têm potencializado sobremaneira o serviço ferry desde à muito tempo.
Dirão alguns que “basta esperar porque estão a ser construídas as rampas”, e eu direi que as rampas não resolvem nada por si só, o que é importante mesmo é definir uma politica de transportes eficiente e ajustada às nossas necessidades alinhando metas e objectivos.
Se possuirmos rampas e Ferry’s só dedicados à circulação de veículos automóveis de passageiros, o que mudará na sensível economia insular? Provavelmente absolutamente nada. As rampas são infra-estruturas portuárias de elevada importância, mas mais relevante será a capacidade de daí saber retirar competitivas vantagens económicas e operacionais, sendo óbvio que os projectos de construção terão que ser bem pensados principalmente no que respeita às localizações e às dimensões dos navios que as irão utilizar.
Quanto à operação Ferry de 2012, tendo em conta as recentes e contidas afirmações do Sr. Secretário da Economia na ilha do Pico, e dado o facto de ser extremamente arriscado o lançamento de novo concurso público internacional onde é elevado o risco de eventuais atrasos e consequentes reclamações, para mais ainda num ano de eleições regionais em que um novo contrato poderia limitar o futuro governo (qualquer que seja a sua cor), e juntando a tudo isto o caso de no próximo ano ser economicamente mais vantajoso fretar os navios como está estipulado, julgo ser aconselhável, e tudo indica que sim, accionar a cláusula de prolongamento do contrato por mais um ano com a Hellenic Seaways.
(©) Copyright fotos: MM Bettencourt, Graciosa.

5 comentários:

gonçalo costa disse...

"....accionar a cláusula de prolongamento do contrato por mais um ano com a Hellenic Seaways", É sem duvida a melhor solução, Não cria obrigações de longo prazo....o mesmo não tem acontecido noutras areas como scuts,tribunais,museus etc...tudo que implique obrigações financeiras por mais de 4/5 anos devia ser sancionada por pelo menos 2/3 do parlamento (regional, nacional ou da assembleia municipal conforme a situação) ou então referendo....Sim porque o que se fizer vai ter que se pagar...por nós todos.

Jordão disse...

Excelente análise. Tomei a liberdade de a copiar para o Candilhes. Espero que não fique muito chateado vizinho!

Manuel disse...

Amigo Almiro, se eventualmente avançassem para um concurso publico internacional, o proximo governo ficava logo limitado, e como os concursos podem ter atrasos ( e nós já sabemos como é) o melhor para já e a estabilidade.

Abraço
Manuel

Amigo Jordão, Obrigado pela referencia, não tem problema.
Abraço,
Manuel

Marcelo Sousa disse...

Olá Manuel
Excelente a sua análise sobre a operaçaõ ferry de 2011 da Atlanticoline. Na minha opinião, acho que correu pelo melhor que podia ter corrido, apenas, e como já sabe, não concordo com a redução de escalas do Hellenic Wind nas ilhas do Triângulo e Flores (não sei se alguma vez este navio foi às Flores). Espero apenas que para o ano isto não volte a acontecer.

Abraço
Marcelo Sousa

Manuel disse...

Boas Marcelo, ainda bem que estamos de acordo, nos aspectos que referi no texto, espero que o próximo ano seja de debate, sobre o futuro da operação, mas para isso precisamos de estabilidade.
Abraço,
Manuel