Tanto o transporte marítimo como os portos devem ser pensados, não como entidades separadas, mas como componentes
interligados, como duas peças de uma engrenagem" Koji Sekimizu , Secretário-Geral da IMO

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

N/M "PONTA DE SÃO LOURENÇO" vendido

© Copyright fotos e texto: Cte. Rui Carvalho, Praia da Vitória.
O navio cimenteiro "PONTA DE SÃO LOURENÇO" pertencente ao armador nacional TRANSINSULAR terá feito a sua última viagem ao terminal da CIMPOR no porto da Praia da Vitória. Segundo soubemos foi adquirido por interesses de Singapura e seguirá de imediato para o seu destino após chegada a Lisboa. Depois da venda do cimenteiro "ATLANTIS" e  da deslocação para o porto de Ponta Delgada da carga destinada ao grupo central, que agora é carregada em porta-contentores, poderemos falar no fim de uma época para o terminal cimenteiro da Praia da Vitória e dos navios de cimento da TRANSINSULAR, e para piorar a situação frágil da economia da Ilha Terceira e da desgraça que será a redução de efectivos americanos na Base das Lajes, São Miguel comporta-se vergonhosamente com as restantes ilhas como se como se comportava o centralismo de Lisboa antes da autonomia.


17 comentários:

Luís Henriques disse...

Notícias preocupantes, não só no mundo "virado para o mar", mas em geral... Não tenho qualquer filosofia de "bairrismo", mas torna-se já insuportável esta "racionalização" centralista. Não pensem os grandes que conseguem sobreviver sem os pequenos... porque enganam-se redondamente. Veja-se o exemplo da UE.

Cumprimentos,

Manuel disse...

Boas Luís Henriques,

O que eu queria escrever não posso, ou melhor não devo, mas seria sobre a relação ilhas "grande" e ilhas pequenas!

Abraço,
Manuel



M. Fontes disse...

Não sei se percebi bem. O terminal cimenteiro da P. da Vitória vai ser desactivado? O cimento para a Terceira também vai passar a vir em contentores desde São Miguel?

Manuel disse...

Caro M Fontes,

O amigo Rui poderá explicar melhor, mas acho que se estava a referir ás baldeações que são feitas em Ponta Delgada, isto no que se refere a carga contentorizada.
Quanto ao terminal, já ouvi a versão da desactivação, mas não sei se será verdade, uma coisa é certa com a brutal queda da venda de cimento, algo poderá mudar se não a desactivação pelo menos teremos ou melhor a Praia da Vitória terá navios cimenteiros diferentes por lá!

Cumprimentos
Manuel

CAP CRÉUS disse...

A senda continua...
Governados por incompetentes.

O que eramos e o que somos, no que ao mar diz respeito. (e não estou a falar dos descobrimentos...).

M Fontes disse...

Caro Manuel, ou então alguém quer manter o nível de produção de cimento em São Miguel apesar da quebra na construção. Evita-se assim a importação de cimento desde fora da região para as ilhas do grupo central? Sim, mas é muito triste ver aquela cratera da cimenteira em São Miguel ir correndo a paisagem sendo que já se nota em imagens de satélite e bem! Nas ilhas prefiro que a paisagem seja preservada sempre que possível. O turismo também depende disso. No entanto se o terminal cimenteiro da P. da Vitória (Terceira) fôr desactivado dá que pensar. Veja por exemplo o Porto Santo que mantem o seu. Já agora os TMG vão-se ressentir muito dessa alteração no tipo e modelo de transporte de cimento suponho eu.

Manuel disse...

Caro Cap Créus e M. Fontes,

os vossos comentários, estão dentro daquilo que penso.
Com esta notícia fico a pensar, que mais alterações virão na logística da distribuição do cimento nos Açores, parece que a PVT regista um considerável decréscimo nas escalas dos navios cimenteiros, será que a Transinsular, irá afretar um navio? Desistirá destes cimenteiros porque sabe qual será a intenção da Cimpor?
Enfim parece-me que quer ao nível dos porta-contentores, quer a outro nível estamos perante um ajustamento, que de facto poderá afectar os TMG.

Cumprimentos
Manuel

Rui Carvalho disse...

Caros Amigos

Neste momento no terminal da Praia da Vitória apenas se enche sacaria, o grosso do cimento segue directamente para as restantes ilhas de São Miguel através de "Big-Bags" com cerca de 1,5 a 2 toneladas.
A CIMPOR optou por manter a fábrica de São Miguel a funcionar, mas parte dos aditivos e "clinker" chega de fora nos seus navios.
É legítimo o que a CIMPOR faz, mas tínhamos que vender a CIMENTAÇOR à CIMPOR e a interesses estrangeiros ?
Um activo de extrema importância para a economia regional ?
É a globalização a servir de mote ao lucro fácil ?
A culpa foi do modelo de desenvolvimento falhado em que os Açores apostaram nestes últimos anos?
Penso que todos sabemos as respostas, mas no fim "o mar bate na pedra e que se lixa...".

Abraço

ErrE

Anónimo disse...


Aqui parece-me que não há bairrismos mas sim o resultado da privatização da CIMPOR.
Como empresa privada procura gerir os seus activos com melhor entende, se não o fizesse é que seria censurável.

Anónimo disse...

Não temos a culpa que as empresas queriam deixar suas empresas em São Miguel.

Manuel disse...

Caros visitantes, a mim não me preocupa se a distribuição de cimento é feita a partir de PDL, até isso está de acordo com a minha humilde ideia para um sistema diferente de transportes marítimos insular.

Os Açores em termos económicos estão divididos, o que deixa alguns felizes porque conseguem ter o seu espaço de influência, na minha opinião devemos caminhar para um mercado interno, em que todas as ilhas façam parte dele. Com o sistema actual existe uma espécie de "Quintas", que dá jeito a alguns!

Eu não me preocupo se a carga vem de S. Miguel, muito menos se em contentores, pois sou defensor desse sistema, o que me preocupa é que de forma artificial me impeçam, ou melhor me dificultam o acesso de forma mais regular quer a S. Miguel quer a outras ilhas, como Flores, Corvo, S. Maria e não só.

Acho que todos teríamos a ganhar com um mercado interno de todos para todos, e não como agora de apenas alguns para todos!



Cumprimentos,
Manuel

Anónimo disse...

Desculpem lá, mas acho umas notas de bairrismo doentio e sem propósito nessa questao do cimento. Nesse momento a verdade é que a construção parou, o ciclo do betão e das megalomanias foi-se, não há pilim e a maior parte das ditas grandes empresas de construção civil faliu ou estão à beira de.Não há movimento na Praia, como nao ha movimento na fabriqueta de S Miguel que aliás trabalha com inertes importados e é ver que os navios com clinquer que descarregavam à semana ,na era das portas do mar, scuts etc, nem vê-los,Vejam os navios arieiros-sumiram. Prédios de apartamentos por acabar-_ás dezenas. Sejamos realistas isto está falido e é aguentar enquanto correr uns subsidios para as vacas e pagarem uns tostoes ao zé-povinho.

CAP CRÉUS disse...

Eu agora fiquei a pensar na cratera de que falam ali em cima.
Nunca vi, e quando vir vou ficar muito triste.
Deve fazer lembrar a cimenteira na Arrábida.
Portanto, demos cabo do Algarve, da Madeira com tanta construção e iremos dar cabo de cada uma das ilhas dos Açores.
Seja por causa das quintas, por causa de vicios privados.
Somos miseráveis!
Turismo sustentável? Pois que sim.
Só iremos ficar felizes quando virmos turismo de massas a invadir cada uma das ilhas.

Manuel disse...

Caro Visitante e Cap Créus,

Obrigado pelos comentários, servem para reflectir!

Cumprimentos e voltem sempre
Manuel

Rui Carvalho disse...

Meus Caros

Podem alegar não haver bairrismo, mas não vejo a lógica da opção adoptada.
Pagar camionagem, taxas portuárias na origem e no destino do contentor, além do frete marítimo, digam-me quanto custará o quilo do cimento a todos nós ?
Não se esqueçam que o cimento é tabelado a preço fixo.
Como disse uma das ilhas foi beneficiada com a questão, deixemos pois a decisão com a CIMPOR.
É melhor assim...

Abraço

ErrE

Anónimo disse...

A Cimpor é uma empresa privada e como tal pode fazer o que bem entende com as suas fábricas e com os seus navios.
A questão do bairrismo já é enjoativa, pois os de S. Miguel não têm culpa de serem da maior ilha e da maior fonte de riqueza para os Açores.

A Terceira fez um porto oceânico e pensa que só isso iria trazer mais movimento á ilha, mas enganaram-se pois as próprias empresas de transportes não querem o modelo de transporte pela Terceira.

Manuel disse...

Caros Visitantes, uma actualização a este post:
A venda do navio para Singapura, falhou, mas já existe novo negócio em vista. O navio esteve esta semana na PVT.

Cumprimentos
Manuel