Tanto o transporte marítimo como os portos devem ser pensados, não como entidades separadas, mas como componentes
interligados, como duas peças de uma engrenagem" Koji Sekimizu , Secretário-Geral da IMO

segunda-feira, 10 de março de 2014

Quem tem medo dos ferrys? Parte II


Foto original autor desconhecido, montagem MM Bettencourt.
A foto diz respeito ao ferry da Balearia, "Passió per Formentera"- 100 mts comprimento; 17 mts boca; 22 nós; 800 passageiros; 150 veículos; Custo em 2009, 42 milhões de euros. Ver aqui
Não gosto de ler ou ouvir criticas apenas pelo exercício de criticar, sem justificação clara, e especialmente que não se apresentem as soluções ou um rumo a seguir.
Isto vem a propósito do meu anterior artigo com o título "Quem tem medo dos ferry´s?".
Nesse simples texto apresentei aquela que é a minha opinião sobre o tema, aliás exposta em vários posts e artigos neste blog, e que consolida com coerência a minha opção a favor de um sistema ferry, absolutamente.
Obviamente eu não sou dono da razão (ninguém é), e não tenho qualquer tipo de dificuldade em admitir que existem muitas ideias e soluções para o modelo de transporte marítimo nos Açores, algumas delas aqui apresentadas, como é o caso do artigo "Um novo conceito de ferry para os Açores" da autoria do Cte. Rui Carvalho.
No entanto as minhas ideias e opiniões devem ser entendidas como um mero exercício retórico que partilho publicamente com todos os visitantes deste blog.
Desde sempre defendi que se devia optar por um novo modelo de transportes inter-ilhas tendo por base a cooperação entre o serviço ferry e o de porta-contentores.
Contudo nunca me debrucei sobre o exercício de cálculo relativamente ao número de ferry´s, e sempre parti do princípio que seria utilizado nesse modelo apenas um navio ferry.
Mas como é sabido, o concurso publico internacional lançado pela Atlânticoline visa dois navios ferry gémeos, o que levará obrigatoriamente a algumas alterações no actual sistema de transportes marítimos na região, isto obviamente se a opção carga se mantiver.
A inclusão deste dois navios deverá (deveria) originar um efeito de "cascata", ou seja, com  a entrada destas duas unidades no sistema algumas terão que sair, ou então corremos o risco de um dia ter mais navios que pessoas.
Julgo ainda que a forma correcta de olhar os dois ferrys não é pela questão do número de passageiros ou triciclos transportados, mas pela sua capacidade de embarcar cargas que potenciem o tal falado mercado interno regional, mas se a opção escolhida for apenas a primeira será melhor ponderar se vale a pena construir os navios.
Deduzo que a Tutela/Atlânticoline tenham um projecto e um rumo assente num ou nuns estudos consolidados, e que a sua estratégia apontará claramente o que querem e para onde se vai.
Contudo, em minha opinião de humilde cidadão, a estratégia deverá assentar na procura de uma cooperação simbiótica e profícua entre o serviço de porta-contentores e o serviço ferry, criando um modelo que possa trazer mais valias a todos os operadores, empresários e fundamentalmente a todos os Açorianos.
Num antigo artigo intitulado "Um novo sistema de transportes marítimos para os Açores", expliquei esta visão de uma forma resumida, hoje essa minha opinião mudou um "bocadinho assim", não num rumo diferente mas na cada vez maior convicção que é fundamental que os armadores façam parte deste modelo de negócio, e quem sabe se talvez mesmo se possa concessionar a totalidade da operação ou apenas a parte relativa à carga?!

2 comentários:

Anónimo disse...

Concordo.
José Ribeiro Pinto

Manuel Bettencourt disse...

Obrigado Amigo Eng. Ribeiro Pinto

Abraço,
Manuel