Tanto o transporte marítimo como os portos devem ser pensados, não como entidades separadas, mas como componentes
interligados, como duas peças de uma engrenagem" Koji Sekimizu , Secretário-Geral da IMO

sexta-feira, 23 de março de 2012

Movimento portuário no porto da Praia da Vitória

O porto da Praia da Vitória, registou ontem um bonito colorido, no caís -12, operavam os porta-contentores, "Ponta do Sol", e "Monte Brasil", da Boxlines e Transinsular respectivamente, enquanto que dois navios com cereal e uma draga coloriam a outra parte do porto. De realçar que a nível do movimentação de contentores este porto tem excelentes condições, tendo a mais valia de possuir um excelente espaço de parqueamento, julgo mesmo que neste e em outros aspectos o porto terá muito mais para oferecer aos seus clientes,  assim o deixem evoluir.
 Se no caís -12, a operação era contentores, no caís -10, procedia-se à descarga de cereais, no navio, "TK Istanbul", aqui devemos registar uma operação um pouco mais lenta que o habitual, face à avaria da grua portuária Gottwald, que foi substituída por uma outra grua do parque de máquinas do porto. De referir que neste aspecto, ouve-se falar na aquisição de uma segunda grua portuária, veremos qual será a politica de aquisição de equipamento a desenvolver pela Portos dos Açores no futuro.
Por fim, no caís, - 7 estava o, "Allerdiep", que aguarda a sua vez para descarregar cereal, enquanto que junto à rampa ro-ro, no denominado, caís -5, estava a habitual draga "residente", "Ilhéu da Mina". Para o dia ser perfeito faltou completar o terminal cimenteiro e o terminal P.O.L.
(©) Copyright fotos: Cmdt Rui Carvalho, Praia da Vitória.

4 comentários:

Victor disse...

Excelente foto reportagem mostrando um pouco de tudo num dia de trabalho num porto insular. Que interessante aquela foto de uma espécie de escavadora verde dentro do porão com cereal do navio num colorido verde, azul e amarelo parecendo uma imagem de um cenário de promoção a brinquedos "Lego". Manuel que pena tenho que aqui na Madeira agora eu esteja a uns bons kms de toda a actividade que envolve navios de carga após passarem quase tudo para o Caniçal e onde o acesso é vedado a simples amantes dos navios como eu. Pode parecer um absurdo mas estas coisas das normas de segurança hoje em dia tiraram muita da magia e entretenimento que muitos de nós simples cidadãos tinhamos. O contacto próximo com os navios e com as cargas. O poder inclusive tocar nas cargas! Lembro-me de decarregamentos de Madeira que vinham do Brasil e eram descarregados no Funchal, enormes troncos que vinham da Amazónia carregados em Belém do Pará e Santarem em navios do leste e até brasileiros. Mais tarde a proveniência era a África Equatorial (Gabão, Congo) e Guiné tendo chegado a ser usado o "Insulano" da Transinsular" para transporta-los junto com contentores. Estes navios depois de descarregarem no Funchal iam descarregar o resto da madeira a Leixões. Era giro deambular por entre aqueles troncos gigantes em cima do molhe que traziam ainda o cheiro da selva e um intenso cheiro a madeiras exóticas, com eles muitos bichos estranhos que se alojavam em orificios da madeira e que depois "desembarcavam" em nosso porto. Dava quase para ter uma aula de biologia. Mais tarde foi proibida a vinda dos troncos em bruto desde o Brasil pois o governo lá obrigava a madeira a ser cortada em tábuas, +- tratada e lavada, com metade do cheiro e quase nenhum exemplar da fauna de insectos de origem mas criando assim postos de trabalho naquele país. Foi aí que passou-se a importar madeira de África onde os ecologistas pelos vistos tinham menos força para reclamar contra o abate indiscriminado de árvores centenárias e envio dos troncos em bruto. Longos dias levavam também os navios turcos a descarregar barras de ferro no Funchal para a construção civil. Quando não era ferro da Turquia era de Bilbau no norte de Espanha. Navios fruteiros que descarregavam paletes de laranja marroquina...

Isto tudo Manuel para dizer que não me admira nada que hoje em dia seja mais dificil a uma criança que terá menos contacto de perto com todo este mundo apaixonar-se por estas coisas do mar e dos portos. O que os olhos não vêm o coração não sente e o que os olhos vêm mais de longe concerteza também o coração menos sentirá. Em relação aos cheiros e aos sons pouco há a fazer. Só quem trabalha nos portos terá acesso a estas pequenas coisas de perto.
Bons tempos foram. Outros tempos virão.

Manuel disse...

Amigo Victor, Obrigado pelo seu comentário, lindo!
Compreendo-o, mas não se pode esquecer as questões de segurança, a única coisa que posso fazer é quando visitar os Açores em especial a PVT peço ao Cmdt Rui, que lhe acompanhe numa visita ao porto.
Este seu texto merecia um post!
Abraço,
Manuel

Vou publicar umas fotos vindas da sua ilha!

Victor disse...

Obrigado Manuel. De vez em quando bate a nostalgia. É o que nos resta. Fiquei curioso já agora se no mesmo dia em que foram tiradas aquelas fotos na PVT não estaria algum navio da TMG atracado na zona habitual.

Manuel disse...

Amigo Victor, imagino que sim, mas só perguntando, depois digo.
Abraço,
Manuel