Tanto o transporte marítimo como os portos devem ser pensados, não como entidades separadas, mas como componentes
interligados, como duas peças de uma engrenagem" Koji Sekimizu , Secretário-Geral da IMO

segunda-feira, 25 de março de 2013

ALGUMAS NOTAS SOBRE O TRANSPORTE MARÍTIMO DOS AÇORES - 7


ALGUMAS NOTAS SOBRE O TRANSPORTE MARÍTIMO DOS AÇORES - 7
(©) Copyright texto: Eng. José Ribeiro Pinto, Terceira

Vimos no artigo anterior que a situação em vigor no transporte marítimo de mercadorias é altamente penalizante para os utentes e para os produtores, pois conduz a custos com o transporte marítimo muito elevados e dificulta altamente o mercado interno.
4. MODELO MAIS LÓGICO
Conclui-se portanto que o modelo mais lógico será o seguinte:
 - Se pouco mais de metade da carga se destina a S. Miguel e S. Maria – cerca de 75.000 teu’s por ano – deveria haver um navio de maior dimensão (1.500 teu’s) que os actuais e de maior velocidade, sem meios próprios de descarga, que apenas faria o percurso Continente/P. Delgada/Continente, transportando apenas os contentores destinados a S. Miguel e S. Maria e vice-versa.

 - Se pouco menos de metade da carga se destina aos restantes portos, sendo 22% para a Praia da Vitória – cerca de 50.000 teu’s por ano – deveria haver um navio de maior dimensão que os actuais e maior velocidade sem meios próprios de descarga apenas faz o percurso Continente/P. Vitória/Continente, transportando apenas os contentores destinados às restantes ilhas. Eventualmente este navio deveria ser semelhante em capacidade de carga ao atrás referido, para eventual necessidade de ter que o substituir.
Estes dois navios fariam apenas os trajectos referidos todas as semanas.
Note-se, no entanto, que devido à sua dimensão estes dois trajectos podem ser liberalizados, dando por isso possibilidade de aparecerem mais operadores em concorrência total. 
- Equipar os portos de P. Delgada e Praia da Vitória com gruas portuárias com capacidade para descarregar estes navios. Neste momento cada um deles já tem uma, pelo que seria necessário adquirir mais uma para cada porto (cerca de 5 milhões de euros). Seria, no entanto, de considerar a compra mais uma para cada um destes portos para tornar mais rápida não só esta operação, como a de carga/descarga dos navios que fariam a distribuição da cargas inter-ilhas.
Para esta distribuição parece-me que seria necessário:
- Três navios rápidos que circulariam exclusivamente entre as ilhas. Um deles fazendo P. Delgada/S. Maria/P. Vitória e volta. Os outros dois fazendo P. Vitória/restantes ilhas e volta.
O primeiro destes navios podia fazer o seu trajecto duas vezes por semana. Um dos outros dois faria também duas vezes por semana P. Vitória/Velas/ S.Roque/Horta e o outro P.Vitória/Graciosa/Horta/Flores uma vez por semana. Naturalmente estes são itinerários meramente indicativos que teriam que ser profundamente estudados.
Uma vez que praticamente todos os portos estarão muito brevemente dotados de rampas para permitir descargas rolantes, seria altamente aconselhável que estes navios fossem do tipo Ro-Ro (navios com rampa de popa), o que permitiria não só, uma muito maior rapidez de descarga/carga, como o transporte em contentor ou em outros veículos o que seria uma mais valia muito importante.
Neste caso, naturalmente, os portos ou os operadores (nunca os clientes) deveriam estar equipados de cabeças de atrelado e de atrelados em número suficiente para satisfazer a procura, especialmente no transporte de contentores. Note-se que estas cabeças de atrelado nunca sairiam dos seus portos e os atrelados apenas circulariam nos navios entre portos, sem nunca saírem dos portos. Ou seja a cabeça de atrelado leva-o para o navio ou vai buscá-lo ao navio e no porto as outra máquinas descarregam/carregam a carga do/para o atrelado.
Note-se que, como já vimos antes, hoje os três armadores já esboçam um pouco este modelo – a Transinsular já só vai a P. Delgada, P. Vitória e Flores, deixando, principalmente em P. Delgada, a carga para as outras ilhas do Grupo Central e para S. Maria, a qual é distribuída pelos navios da Mutualista e da Boxlines, os quais também vêm do Continente. Têm 7 navios afectos a este tráfego!     
Com este modelo que propomos temos a certeza que o tempo de transporte Continente-Açores não só não aumentava como até diminuiria e em muitos casos haveria aumento de frequências.
No próximo artigo vamos analisar outras consequências.

6 comentários:

Bruno Rodrigues disse...

Manuel, parece que vamos ter novidades a curto prazo:
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=3129113&page=-1

Estou como São Tomé...

Manuel disse...

Amigo Bruno obrigado pelo link, isto faz parte do programa de governo espero que seja o inicio de uma nova era! Também eu gosto de São Tomé!
Abraço
Manuel

Rui Carvalho disse...

Caro MMCB e Bruno R.

Boas ideias, só algumas !
Mas não venho como na prática se aplicam, só se for com a bênção da República.
Acho muita fruta para quem está tecnicamente FALIDO.
Será que sabem quanto é que custou o VTS nacional ?
Dezenas de milhões para um número de estações igual ao que é necessário para os Açores, fora a manutenção e custos de funcionamento.
Agora que é necessário, é !
Mas só em tempos de vacas gordas.

Enfim como afirma o B.R. "ver para crer".

Abraço a ambos

ErrE

Manuel disse...

Amigo ErrE, o sonho Comanda a Vida!

Abraço,
Manuel

Victor Insular disse...

Uma dúvida, no caso dos tais "navios rápidos" dotados de rampa à popa que fariam o transporte para as ilhas mais pequenas estamos mesmo a falar de navios só RO-RO (só de carga)? Se fossem ferries (RO-PAX) como seria feito o transporte de gás para as ilhas mais pequenas que hoje em dia é feito em porta-contentores? Esse tipo de carga em principio não pode ir num ferry com passageiros por questões de segurança não é? No entanto seria uma boa ideia viabilizar os ferries todo o ano nos Açores através do transporte de alguma carga de S. Miguel/Terceira (abastecidas pelos tais navios de 1500 TEUs) para as ilhas mais pequenas. Teriamos então um sistema complementar nestas ilhas tipo RO-PAX/RO-RO? Esse tipo de navios cobriria todo o tipo de carga (mesmo a mais pesada) que normalmente vai num porta-contentores?

Manuel disse...

Amigo Vitor, é pelas razões que levanta que defendo um sistema porta-contentores/ferry, ou seja o navio do tipo ro-pax na carga e passageiros inter-ilhas, os porta-contentores assegurando as cargas IMO, cargas excepcionais, e obviamente as ligações com o continente e Madeira.
Também penso que este sistema devia avançar com os armadores nacionais (porta-contentores), e não contra eles.
Esta é a minha ideia, que obviamente é discutível, outra solução é um navio tanque que tal como o Seychelles Paradise combina combustíveis e o gás .
Apenas um navio ro-pax, acho que não!
Um Abraço
Manuel