Tanto o transporte marítimo como os portos devem ser pensados, não como entidades separadas, mas como componentes
interligados, como duas peças de uma engrenagem" Koji Sekimizu , Secretário-Geral da IMO

terça-feira, 5 de março de 2013

Governo quer criar nos Açores um 'hub' atlântico de distribuição de carga

O Secretário Regional do Turismo e Transportes transmitiu à Comissária Europeia dos Assuntos Marítimos e das Pescas, Maria Damanaki, a intenção do Governo dos Açores de criar no arquipélago um 'hub' (centro) atlântico que potencie a distribuição de carga de e para a Europa.
Vítor Fraga, em declarações aos jornalistas em Ponta Delgada, após a audiência que manteve com a Comissária Europeia, recordou que “faz parte do Programa do Governo dos Açores desenvolver todos os esforços para integrar os portos dos Açores numa rede transeuropeia de transportes” e a criação de um 'hub' atlântico que sirva como plataforma de distribuição de carga de e para o continente europeu.
O governante salientou que Maria Damanaki “recebeu muito bem esta ideia e assumiu o compromisso de, junto da Comissão Europeia, ser uma defensora deste projeto, sem que, no entanto, deixe de ser necessário fazer os estudos económicos necessários para a viabilidade do próprio projeto”.
Vítor Fraga lembrou ainda que é intenção do Governo dos Açores instalar este 'hub' atlântico de carga no Porto da Praia da Vitória, “essencialmente aproveitando as infraestruturas já existentes e fazendo as adaptações necessárias", acrescentando que o projeto em causa é "algo de uma dimensão bastante diferente daquela que existe atualmente”.
Instalado nos Açores, este 'hub' atlântico poderá atingir um volume de distribuição de carga da ordem dos 2 milhões de TEU’s (contentor de 20 pés) por ano entre a Europa e a América do Norte e de cerca de 3 milhões de TEU’s, caso venha a ser utilizado também pela América Latina e África.
(©) Copyright Texto e 1ª foto: Gacs ; 2ª foto: Carlos Medeiros, Terceira.

5 comentários:

Anónimo disse...

Hubs, transhipments, são slogans já demasido estafados para hipoteticas utilizaçoes de portos açoreanos.Com as novas geraçoes de mega containerships, cada vez mais velozes e com grande autonomia, a redução de todos os custos extras, as escalas intermedias passaram à história.Qual a logica de navegar 4-5 dias ate aos Açores e fazer transshipment para navios feeder?? Há dias tivemos, ao largo de P Delgada,o gigante CMA CGM Figaro que trazia 21 dias de viagem desde Ningpo, China via Suez e que com mais 5 dias estaria em New York. Já nao estamos nos tempos dos velhos navios tipo liberty e outros velhos tramps gregos,que vinham as dezenas, por mês tomar fuel dos tanques da Bensaude.

Manuel disse...

Caro Visitante, faço minhas as suas palavras!
À poucos dias passava o habitual Maersk Utah, a 22 nós. Em relativamente pouco tempo estaria na costa portuguesa porque diabo havia da parar para descarregar e outro vir carregar! Se bem que não estarão a sonhar com um Maersk Utah, digo eu!
Cumprimentos
Manuel

Rui Carvalho disse...

Caro MMB

O segredo, e não é difícil perceber, não é substituir troços de uma rota existente, por exemplo, New York-Algecirias.
O segredo está em passar carga de um navio nessa rota para outro navio que siga, por exemplo, entre Hamburgo e o canal do Panamá.
Nas rotas cruzadas é que poderá estar o segredo do negócio.
Penso que não é fácil perceber.

Abraço

ErrE

Manuel disse...

O TCL tornou-se hoje o primeiro terminal de contentores português a movimentar 600 mil TEU num ano. Um recorde histórico, conseguido num ano particularmente difícil.
O feito é impressionante, tanto mais que resulta num aumento de quase 100 mil TEU relativamente ao movimentado no ano passado.
Como se impunha, o momento da movimentação do 600.000.º TEU foi devidamente assinalado por um acto comemorativo, com a participação do presidente em exercício da APDL e de representantes da Comunidade Portuária de Leixões.
Sublinhe-se que foi há cerca de um ano que igual cerimónia se realizou no Porto de Leixões, então para comemorar a movimentação do 500.000.º TEU.
Destaque-se também que o novo recorde, excepcional pela sua dimensão, cumpre, também, uma tradição de máximos anuais de movimentação de contentores no TCL, iniciada com o arranque da concessão, em 2000, e nunca interrompida.

Bem, bem por onde começo, como acima se refere (este texto é do TCL-Terminal de Contentores de leixões), estes movimentaram 600 000 teus num ano!!!

No hub a desenvolver na PVT, poderá atingir um volume de distribuição de carga da ordem dos 2 milhões de TEU’s (contentor de 20 pés) por ano entre a Europa e a América do Norte e de cerca de 3 milhões de TEU’s, caso venha a ser utilizado também pela América Latina e África.
Bem 2+3 = 5 milhões de teus!
5 000 000 teus /365 dias= 13698,63 teus dia!!!
O Maersk Utah tem uma capacidade de 4650 teus, logo terá que se descarregar praticamente 3 navios com essa capacidade por dia!

Se eu percebo o que se quer para a PVT? Não, não percebo!

Mas percebo uma coisa com a aposta nesta plataforma de milhões de teus, espaço não deve de abundar, aconselha-se os armadores nacionais a servir as ilhas pequenas através de PDL!

Abraço,
Manuel

Anónimo disse...

Mas já houve algum armador internacional que manifestasse interesse em usar a PVT como plataforma? Ou melhor, o Governo/Portos dos Açores já desenvolveram algum contacto nesse sentido?

Até haver alguém a dizer e, sobretudo, a assinar um papel que diga "sim senhor, queremos usar PVT como plataforma", tudo não passa de palavras, promessas e outras coisas sem grande substância que normalmente saem da boca dos políticos.