Tanto o transporte marítimo como os portos devem ser pensados, não como entidades separadas, mas como componentes
interligados, como duas peças de uma engrenagem" Koji Sekimizu , Secretário-Geral da IMO

sábado, 21 de janeiro de 2012

Ferrys as "estradas" marítimas e a criação de um mercado interno nos Açores

 “As estradas pavimentadas permitem o acesso barato e rápido de homens e mercadorias aos pontos mais remotos de uma nação. De utilidade indiscutível para indivíduos, sociedades e economias de qualquer período da história, o deslocamento por via terrestre transformou-se no principal meio de transporte de médias e longas distâncias do mundo contemporâneo.”
Tendo por base a definição de estrada e a sua importância no desenvolvimento de uma nação ou região, decidi fazer um post que explique dentro do possível a minha opinião sobre o serviço ferry nos Açores.
Se imagina-se-mos os Açores como uma só ilha com 9 localidades, certamente que essas localidades seriam ligadas por estradas, contudo esta não é a nossa realidade, somos pequenas ilhas separadas pelo mar, mas esse mar que nos separa também pode facilmente ser uma ponte que nos une .
Nos meus humildes pensamentos, acredito que os ferrys são a ponte perfeita para criar uma ligação permanente inter-ilhas, contribuindo estes para a criação de um mercado interno. Acredito que a criação efectiva de um verdadeiro mercado interno ajudará a um maior desenvolvimento sócio-económico dos Açores.
Esta minha opinião não é nenhuma invenção, trata-se sim de um mero copianço do que acontece desde há muito nos arquipélagos vizinhos. Tenho a impressão que muitos dos que criticam os ferrys, na verdade tem medo do futuro e das suas potencialidades, espero que os nossos políticos sejam corajosos e apostem definitivamente neste serviço. Ou o exemplo é o terceiro mundo?
No meu sonho, vejo a minha ilha a utilizar o ferry para colocar o mais rapidamente possível em diversas ilhas a saborosa meloa da Graciosa, vejo a ilha importar facilmente  produtos e serviço de outras ilhas, vejo a ilha ganhar vida pelas épocas festivas, vejo a ilha utilizar o transporte marítimo para se fortalecer, aproximando-a das outras ilhas (todas) e com essa proximidade poder sonhar em combater a desertificação, nesta altura talvez o maior problema da ilha.
Trata-se de apostar no bem de muitos, em vez de proteger os bens de poucos.
(©) Copyright fotos: MM Bettencourt, Graciosa; João Abreu, Madeira; António Saez, Tenerife; imagem: Fred Olsen, Canárias.

17 comentários:

Elvio Leão disse...

Boas Manuel
É essa a minha opinão, lamento os Açores não tenham um serviço ferry, porque na realidade não tem. Os ferries fretados durante o verão não usam todo o seu +otencial e durante o resto do não não há ferries. Lamento tambem que não haja uma ligação ferry com o continemte e tenho receio que a existente entre a Madeira e o continente e Canárias termine. Vamos sonhamdo e esperando que dia não sejamos aquele país onde só se veem ferries la por acaso e felizmente no Porto Santo.
Abraço de Porto Santo
Elvio

Manuel disse...

Boas Elvio, tenho como modelo o teu, e convido todos os visitantes para visitarem o teu blog e verem como pode funcionar um sistema ferry-portacontentores.
Um Abraço,
Manuel

João Bettencourt Mendonça disse...

Boas
LAMENTAVELMENTE este nosso amigo Elvio está CHEIO DE RAZÃO.

E mais lamentavelmente, é que esta situação persiste nos Açores, depois de se ter gasto MILHÕES e MILHÕES em portos, estudos, construção e afretamentos de navios, administrações portuárias, etc.

Cumprimentos
João Mendonça

Manuel disse...

Boas, Amigo João, espero que os nossos politicos, tenham Coragem de fazer aquilo que é melhor para os Açorianos, e que daqui a 10-20 anos possamos dizer aos nossos filhos, que em 2012 graças à coragem do politico x, os açores fizeram do mar a sua estrada, e dai souberam tirar várias vantagens economicas e sociais, sonhar não faz mal pois não?
Abraço,
Manuel

Anónimo disse...

A verdade é que os Açores não têm um comércio interno que justifique uma operação com este tipo de navios. Já no que respeita a passageiros, a exploração apenas é positiva nos meses de Junho, Julho e Agosto.

Anónimo disse...

Fala-se muito em dinamizar a economia Açoriana, a certificação dos nossos produtos, o retorno à produção hortícola frutícola para consumo interno e exportação, trazer mais turistas apostando no turismo Rural, tudo isso é muito bonito e é bom que se faça isso, pois é uma mais valia para os Açores, mas falta uma coisa, transportes de qualidade e a bom preço tanto aéreos como marítimos. Só assim é que está reunido as condições para ser sustentável esta ideia. Um serviço ferry anual faz tudo o sentido se for bem estruturado usando também parcerias para a carga rolada.

Cumprimentos
Jorge azevedo

Manuel disse...

Amigo Jorge, faço minhas as tuas palavras!
Abraço,
Manuel

Manuel disse...

caro Visitante, Obrigado pela vista e comentário, o que diz discordo parcialmente, se reparar os ferrys na minha opinião visam criar esse comercio inter ilhas, sem eles será mais dificil.
Quanto à carga ela existe, e de tal forma existe que a Atlânticoline não pode transportar uma caixa de sapatos, porque será?
Abraço,
Manuel

Anónimo disse...

A Atlanticoline não transporta carga porque faria concorrência aos navios de linha regular. Se não debitarem aos armadores os serviços de estiva e as despesas da PA, eles poderão fazer fretes mais baratos e dinamizar o comércio interno. O problema é que os porta-contentores têm que sustentar muita gente

Manuel disse...

Caro Visitante, se visita o blog regularmente sabe que sempre defendo os porta-contentores, sabe também que ( o sistema do Porto Santo) defendo um sistema Ferry-porta contentores como a Madeira.
Os ferrys serviriam na minha muito hulmide opinião para carga inter-ilhas.
caro visitante, não vou mais além acho que me percebe, quanto aos contentores, não transportam mais porque não querem e também porque não os deixam.
Não podemos chorar pelos contentores e depois dizer "é pá essa carga não".
Amigo eu não sou dono da razão, apenas exponho a minha humilde opinião, que obviamente será discutivel.
Um Abraço,
Manuel

P. Gomes disse...

Manuel, existe aqui um ciclo vicioso em relação a esta questão dos ferrys nos Açores. "Não existe mercado" dizem... Mas alguém pensa que entre a Madeira e o Porto Santo antes de existirem os ferrys na linha, circulavam o nº de carros, veículos em geral e passageiros entre as duas ilhas que circulam agora? No tempo em que os carros eram levados em cargueiros como o antigo "madeirense" que hoje em dia serve de recife de Coral no fundo do mar? O mercado cria-se. As pessoas se tiverem melhores condições começam a viajar e a levar o seu veículo. Depois há aqui outro problema.. A carga inter-ilhas e alguns interesses instalados. Em alturas de menor tráfego, a carga rodada é essencial para manter um serviço destes. Neste aspecto vão ter de ser tomadas decisões.
Não me sai da cabeça que foram os própios armadores que operam porta contentores na Madeira que tanto atacaram o ARMAS por causa da carga que estavam a perder para o ferry (alguma não era rodada e passou a ser! Contentores com fruta é um exemplo!) são os responsáveis pelos problemas que se estão agora a verificar. Não foi só a abertura de uma linha directa concorrente entre as Canárias e Huelva. Foi todo um conjunto de factores. Um dos mais ridiculos foi aquela obrigação imposta à ARMAS de andar com tractores de reboque de trailers dentro do navio em cada viagem. Uma coisa é certa, se a ARMAS sair da Madeira cada vez mais longe se vê a hipótese de um ferry ligar os Açores ao exterior regularmente. Os "ventos que sopram de sudeste" neste momento não são um bom pronuncio.

Manuel disse...

Boas P Gomes, muito bem dito! e se olharmos para a Madeira vemos a importância dos ferrys, não esquecer que no porto santo opera a Madeirense e a Porto Santo line, num sistema que acho muito interessante.
Abraço
manuel

gonçalo costa disse...

Artigo:(vai brevemente ser publicado no Correio dos Açores)

Transportes marítimos


A razão principal da insularidade dos Açores é a descontinuidade
territorial com a plataforma continental europeia.
Os efeitos de tal situação refletem-se nos custos associados ao transporte
de mercadorias e passageiros; no preço final de produtos e serviços ao
consumidor; nas distorções da concorrência bem como na diminuição da
competitividade em geral das empresas dos Açores (ou até mesmo da própria
região em si, como um todo).
Esta situação poderia em parte ser ultrapassada com a existência de um
serviço de ferry boat que utilizasse a "auto-estrada" marítima que nos liga
ao continente, diminuindo assim os efeitos da descontinuidade territorial.
No entanto, incompreensivelmente, os Açores são as únicas ilhas europeias
sem beneficiar de um serviço de ferry boat.

Esta situação é inaceitável para os Açores.

Está-se a abdicar de uma alternativa de transporte de mercadorias e
passageiros, fulcral para o desenvolvimento económico insular de outros
arquipélagos como a Madeira e as Canárias.

Na realidade os ferrys têm custos de combustível semelhantes aos
porta-contentores, mas com muito menos custo na carga e descarga; menor
exigência ao nível das estruturas portuárias e uma maior rapidez nas
operações de carga e descarga em virtude da facilidade e versatilidade da
utilização de camiões TIR no manuseamento de contentores em trailers nas
rampas RO-RO, sem necessidade de burocracia (o ferry chega, o passageiro
pega no seu veículo e vai para o seu destino...).

Falta ainda referir que este tipo de transporte poderá ser uma alternativa
ao transporte aéreo de passageiros (introduzindo-se assim alguma saudável
concorrência) tornando-se numa alternativa para as deslocações dos
residentes e abrindo-se novos mercados ao nível do turismo não convencional
(sem intervenção de agências de viagens, com viatura própria ou até
auto-caravanas), logo uma mais valia para a economia da região dos Açores.

Concluindo: torna-se necessário pensar em alternativas ao transporte
marítimo por forma a deixar de fazer parte do problema tornando-se uma
parte da solução no que concerne ao desenvolvimento do nosso arquipélago.
Seria desejável que neste ano de eleições regionais, os vários candidatos
ao Governo Regional dos Açores se prenunciassem sobre este tema...
aguardemos.


PS: Caso queira saber mais, sobre este e outros temas da Cidade de
Ponta Delgada e Ilha de São Miguel, consulte a página de Facebook “
PDL Ponta Delgada “.

Gonçalo Almiro Matos Cost

Manuel disse...

Boas Amigo Almiro, este comentário merece um post, logo que seja publicado no CA avisa !
Abraço,
Manuel

DavidB disse...

Sr Manuel , muita gente fora dos Açores diz que o Atlantida deveria ir para os Açores , os Açorianos não gostam muito desta ideia , mais veja o problema principal do Atlantida é o pesso que o faz andar devagar.

Esse pesso a mais causado por acrecentos a mais pedidos pelo GR do que estava no contrato inicial

Porque não retirar tudo o que esta a mais no Atlantida ( Casino , Luxos superfulos ) e deixarlo com interiores tipo Lobo Marinho , não é luxo mais desenrasca .

E mais se é para promover o transporte de carga porque não transformar a traseira com uma porta minuscula, numa traseira tipo Lobo Marinho, para mais facil entrada de trelas de carga

e transformar o projecto Ciclone que esta parado mais já tem algumas peças montadas numa especie de lobo Marinho açoriano .

O que acha ?

O Sr Manuel deveria criar um post com aquelas imagens do interior do compartimento de carga do Lobo Marinho que o sr comentou naquele Blog do Porto Santo

DavidB disse...

Não sabia essa historia dele não ter sido feito estruturalmente forte para receber as trelas .

Como é uma pergunta a si pode apagar , não me faz comfução

Manuel disse...

Boas Amigo DavidB, tal como combinado já eliminei o meu comentário.
Se um dia lhe apetecer pode usar o meu mail que lhe direi a minha opinião de uma forma mais clara.
Um Abraço e volte sempre
Manuel